Primavera Sound 2026 (Dia 3): IDLES fecham a primavera com maestria

Primavera Sound 2026 (Dia 3): IDLES fecham a primavera com maestria

Festa, saltos, dança e mosh, todos eles sinónimos de terceiro dia de Primavera Sound Porto. Nomes nacionais e internacionais que brilharam e grande variedade musical ao longo do dia.

Como sempre, as portas abriram-se para os festivaleiros pelas 15:30, e o facto de o ato de abertura do palco principal ser uma banda de renome nacional (e, no futuro, internacional), como os NAPA, ajudou a que, pelo início da tarde, o recinto já estivesse bem composto.

A banda madeirense deu um concerto especial, que deixou o público surpreso pela energia que apresentou, e também pelo material novo que estreou, como o novo single “Sortudo” que sai já no dia 19 de junho. O momento alto do concerto deu-se na reta final, quando tocaram “aquela que mudou tudo” (a falar de “Deslocado”) e a última “Se Eu Morresse Amanhã”, que contou com um arranjo muito interessante e bem trabalhado para fazer a festa nos últimos suspiros do concerto.

A ZYN confiou a abertura do seu palco aos americanos The Sophs, que deram um concerto memorável. Vocal e instrumentalmente bastante bom, mas o que sobressaiu foi mesmo o carácter dos jovens de Los Angeles, que criaram intimidade e levaram o público até uma garagem nos Estados Unidos num dia de sol, com guitarras a rugir e toda uma estética de anos 2000.

A banda americana lançou o seu álbum GOLDSTAR em março de 2026 e tem feito sucesso no panorama internacional com a sua digressão “Summer 2026”, que também já passou no Primavera Sound de Barcelona, no passado dia 6 de junho.

Dos Estados Unidos ao Brasil são 6 horas, mas no Primavera Sound Porto demorou apenas 5 minutos, pois, ao acabar o concerto dos The Sophs, a Duquesa, que certamente sabe animar uma plateia, subiu ao palco primavera para uma atuação que ficou marcada pelo seu carácter frenético. A artista agradeceu ao vasto público que reuniu, aproveitando para mencionar a importância que dá ao rap, trap e R&B brasileiros.

Já no palco principal, JADE assumiu o controlo e tornou e tornou o queimódromo do Porto uma autêntica discoteca. A britânica ex-Little mix apostou em temas agitados que tirassem as pessoas do chão, e resultou perfeitamente, em conjunto com um show de luzes a complementar bem a atuação.

De volta ao palco primavera, os festivaleiros compareceram em força para o concerto de Sudan Archives e fizeram questão de que não coubesse nem mais uma formiga naquele pequeno espaço. Para surpresa de muitos, o público que recebeu a artista foi um dos mais barulhentos da noite.

A violinista americana optou por um outfit de palco invulgar, mas que prendeu todos à estética do concerto. Consigo, tinha sempre um violino em formato de Flying V, que certamente mostrou rebelião da sua parte. A atuação experimental contou também com alguns pormenores teátricos, provando, mais uma vez, que o seu momento não foi só um concerto, mas sim um espetáculo bem elaborado.

O vizinho palco vodafone recebeu, logo de seguida, Amaarae, que, em conjunto com o seu cabelo rosa-choque, deu um concerto eletrizante. A cantora ganense apresentou grandes hits como “SAD GIRLZ LUV MONEY” e “Angels in Tibet” e conseguiu encher o espaço do palco Vodafone com um público saltitante.

Simultaneamente, no palco ZYN, tocavam Smerz, que deram um concerto sereno com uma aposta grande no visual, o duo apresentou um design de palco muito bem conseguido.

Com a noite já definitivamente instalada, pelas 23:15, houve reunião de condomínio no palco principal, que recebeu os Massive Attack. Há quem diga que o concerto desta banda foi uma aula de história, ou um movimento ativista com a finalidade de desmascarar um mundo doente.

O facto é que aquilo que a banda apresentou não se pode chamar apenas de concerto, e mesmo dizer que foi um simples espetáculo é dizer pouco. Foi uma autêntica exposição aos líderes mundiais, às celebridades e à escravidão. Não foram apenas indiretas, mas sim legendas escritas em português com vídeos que expunham as caras de quem a banda quis desmascarar.

A generosíssima set-list de Massive Attack provocou um misto de emoções à plateia. Desde melancolia, à calma, tristeza, medo, e até sensualidade, ao tocar os seus maiores hits, “Angel” e “Teardrop”. Houve também surpresas como “Levels”, de Avicii.

Para fechar a primavera, uma banda que já é praticamente da casa, IDLES, que regressam a Portugal pela oitava vez em dez anos, atuaram no palco vodafone e deram um concerto que, para muitos, está a fazer braço de ferro com Viagra Boys na disputa pelo melhor concerto do festival. Os britânicos ergueram-se pelo que defendem, e, em uníssono com o palco Vodafone cheio, enviaram uma mensagem de força à palestina, com o cântico “free, free Palestine”. A banda tocou temas que levaram a multidão à loucura total, como “Never Fight a Man With a Perm”, logo pelo início do concerto, “Divide and Conquer”, “Dancer”, e não demorou até começar o mosh pit e o campeonato de quem atirava a cerveja mais longe. Foi a maneira perfeita de dizer adeus a uma primavera que vai deixar muitas saudades.


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Mais sobre: Amaarae, Duquesa, Idles, JADE, Massive Attack, NAPA, Smerz, Sudan Archives, The Sophs, Viagra Boys

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