Primavera Sound 2026 (Dia 2): Um mar de gente com direito a crowd surfing

O segundo dia do Primavera Sound Porto não falhou em servir os festivaleiros. O dia 12 de junho ficou marcado, não só, pelas diversas dinâmicas que apresentou, mas sobretudo por atuações frenéticas dos artistas nacionais e internacionais que subiram aos palcos do festival.
Rita Vian foi quem ficou encarregue de abrir as hostilidades no palco principal. A artista emergente tem vindo a ganhar reconhecimento com o seu último trabalho, “Liga Dura”, álbum que conta com participação de Manel Cruz, dos Ornatos Violeta. Já no palco ZYN, Annahstasia cantou e encantou com a sua voz hipnótica, que, rapidamente, reuniu um público grande nas primeiras horas de festival. A própria artista admitiu que ficou grata por “ter tanta gente tão cedo”.
Pouco depois, pelas 18:40, chegou o sismo “Baxter Dury” ao palco principal, que apanhou toda a gente de surpresa. Tudo nesta atuação foi contagiante. Mesmo sendo um concerto musicalmente bem produzido, o que sobressaiu realmente foi a energia do cantor, que é de louvar. Cerca de uma hora sem parar, Baxter Dury fez uma autêntica festa no Primavera Sound, e tocou temas como “Cocaine Man”, “Allbarone” e “Baxter (these are my friends)”.
Ao acabar o set do cantor britânico, foi altura do palco ZYN receber um dos maiores nomes do fado moderno, Gisela João. A cantora fez o circuito ibérico do Primavera Sound, tendo já passado em Barcelona, no dia 4 de junho. A sua atuação começou com uma introdução teátrica que culminou no tema “Acordai”, e, de seguida, “A morte saiu à rua”, de Zeca Afonso. A set-list (muito comovente) da cantora teve a peculiaridade de, nas onze músicas que teve, sete delas serem covers acerca de liberdade e também a pressão acarretada que sentiu, só por “nascer mulher”. A atuação foi pensada para celebrar a liberdade.
Depois de Gisela João arrasar o palco ZYN, foi a vez dos Slowdive subirem ao palco principal, para uma atuação que não causou menos que uma epifania a cada um dos espectadores. Desde os visuais excecionais, que retrataram perfeitamente a imagem da banda, ao som e à escolha de temas para o concerto. A surpresa principal foi não se ter ouvido “Dagger”, porém o momento de intimidade da banda com o público durante “When the Sun Hits” compensou totalmente qualquer ausência na set-list. Foi uma boa aula da tarde de shoegaze.
Ainda antes de Gorillaz, a invicta foi brindada com a hiperatividade dos Viagra Boys, num concerto que muitos descrevem como “o melhor do ano”. Estava um mar de gente no palco Vodafone para ver os suecos, que prometeram tudo e entregaram ainda mais. Houve um mosh-pit gigante, muito crowd surfing e política à mistura. O público foi presenteado com temas como “Punk Rock Loser”, “Ain’t No Thief” e “Sports”. A banda liderada por Sebastian Murphy trouxe um tipo de intensidade diferente aos festivaleiros.
Para fechar a noite em grande, os Gorillaz voltaram e deram um concerto bem produzido, com uma qualidade altíssima. Tiveram momentos inesperados como a aparição de Joe Talbot, dos IDLES, que tocam no terceiro dia de festival, para cantar “The God of Lying”. A set-list de 19 temas começou com “The Mountain”, e pouco depois, “19-2000”, pelo meio teve “On Melancholy Hill”, mas o clímax do concerto deu-se mesmo na reta final, quando a banda deixou soar as primeiras notas, ou melhor, gargalhadas de “Feel Good Inc.”, e, de seguida, “Clint Eastwood”.
Findo o concerto da banda liderada pela banda de Damon Albarn, rumamos colina abaixo em direção ao palco Vodafone para perrear ao som dos ritmos calientes da catalaã Bad Gyal. Com uma front-row de fãs de se lhe tirar o chapéu, a espanhol entrou contida e não deixou que a temperatura subisse mais do que a noite quente que já se fazia sentir.
Os festivaleiros ainda tiveram direito a Melt-Banana no palco ZYN e Joey Valence & Brae, no palco primavera.
Nota de redação: não tivemos autorização para fotografar o concerto de Gorillaz.

