8 Ago 2019 a 11 Ago 2019

Oliveiras no palco, o campo lá atrás e um concerto épico que só aqui faz sentido – o segundo dia de Bons Sons

Oliveiras no palco, o campo lá atrás e um concerto épico que só aqui faz sentido - o segundo dia de Bons Sons

Ao segundo dia na aldeia, First Breath After Coma + Noiserv foram reis, Afonso Cabral e Sallim as revelações.

A tarde começou com o garage fuzz dos Gator, The Alligator. A banda de Barcelos ganhou a oportunidade de tocar no Bons Sons através do Festival Termómetro e deixou marca no palco Giacometti. De seguida, foi a vez de Adélia se fazer ouvir no lagar da aldeia. Uma das velhinhas mais características dos vídeos do projecto A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria (que faz a curadoria deste palco) foi assim homenageada de forma singular.

Das vozes mais interessantes que surgiu nos últimos anos no panorama musical nacional, Sallim cantou e encantou quem fez frente ao calor abrasador no Largo de S. Pedro para a ouvir. Na guitarra ou nas teclas, com melodias inspiradas apoiadas por beats viciantes, Sallim trouxe o seu mais recente trabalho, A Ver O Que Acontece, e provou ser um caso sério a ter em conta para os próximos anos.

Já conhecido do público como voz dos You Can’t Win, Charlie Brown, Afonso Cabral deu no palco Amália (frente à igreja), o seu primeiro concerto. Em nome próprio, Afonso lançou em Julho o seu disco de estreia, Morada, e foram muitos (mas mesmo muitos) os que o quiseram ir ouvir. Mesmo com uma formação mais reduzida do que aquela que ouvimos em disco as canções não sofreram alterações de maior, prova de que a qualidade que sustêm não é acaso. Ainda houve uma versão de Anda Estragar-me Os Planos, bela canção que Afonso escreveu com Francisca Cortesão para o Festival da Canção de 2018, onde foi interpretada por Joana Barra Vaz. Com uma estreia assim, os voos serão bem altos, com certeza.

Ao contrário dos estreantes que se vêem todos os anos na aldeia, os LODO conhecem todos os cantos à casa. São de Cem Soldos e saltaram do palco Garagem para o palco Eira (2016) para agora tomarem de assalto o palco Zeca Afonso. Integrado nas duplas de celebração das dez edições de festival, o concerto de regresso dos LODO à aldeia de que nunca saíram foi partilhado com Peixe. O ex-Ornato e a banda local construíram novas melodias instrumentais, remexeram nos trabalhos um do outro e ofereceram uma excelente banda sonora para o final de tarde.

Depois de Hélder Moutinho ter debitado fado de mão no bolso no palco Lopes-Graça e dos Paraguaii terem posto o recinto do palco António Variações a dançar, a última dupla comemorativa do dia teve uma multidão à sua espera.

No palco Zeca Afonso era muito difícil arranjar um cantinho onde ver o concerto que se seguia. Quem não conseguiu um lugar entre as árvores, subiu-as, e estava dado o aviso de que esta dupla prometia algo maior. First Breath After Coma (FBAC) + Noiserv já tinham trabalhado juntos num tema e até se conheceram no Bons Sons, em 2014, mas o que fizeram naquele palco transcendeu expectativas. Houve canções de Noiserv com intervenções impactantes de FBAC e temas de FBAC afectados pela delicadeza de Noiserv; canções de um desconstruídas pelos outros e vice-versa. Se isto fosse uma só banda, seria incrível, mas é em conhecendo os temas de antemão e vê-los ganhar novas e surpreendentes formas tão impressionantes que está a magia. Será difícil bater estes 60 minutos na luta para o lugar cimeiro dos melhores concertos desta edição.

De volta ao Largo do Rossio, os Budda Power Blues trouxeram o seu – adivinhem – blues e Maria João a sua voz e capacidade interpretativa inimitáveis, num concerto que muitos estranharam inicialmente mas rapidamente abraçaram. A noite fechou com Scùru Fitchadu no palco António Variações e DJ Narciso no palco Aguardela.

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gostava de cogumelos mas agora até os tolera. Continua sem gostar de feijão verde.


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Mais sobre: Adélia, Afonso Cabral, Gator The Alligator, Sallim


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