Oh Captain, My Captain: O Jovem Conan Gray Comandou a Meo Arena com o Espírito de Um Contador de Histórias

Começou nos cantos do YouTube, a partilhar covers e músicas próprias. Hoje, Conan Gray, é uma referência no pop e um nome capaz de encher grandes arenas. Foi assim que, no domingo passado, dia 7 de junho, a Meo Arena recebeu a estreia do jovem texano – nascido na Califórnia – com grande ânimo e orgulho. A “Wishbone World Tour” terminou a digressão europeia em Lisboa, para um espetáculo teatral e cheio de energia.
A par da sua comitiva de marinheiras, a poderosa banda de apoio de Gray, a abertura do concerto ficou ao cargo de Esha Tewari, artista australiana que se revelou uma das surpresas da noite pela sua autenticidade e transparência. Iniciou o seu set a pedir desculpas ao público devido à perda de voz, mas mesmo visivelmente abatida pela sua condição de saúde, nada impediu o seu sucesso. A comunidade de fãs do cantor apoiou, aplaudiu e elogiou a artista no decorrer da sua performance, recebendo o calor de que é conhecido o público português.
Após abertura, e ainda cheios de energia, os fãs aqueceram a voz durante o intervalo ao som da velha amiga de Conan Gray, uma artista que dispensa as apresentações – Olivia Rodrigo – e divertiram-se a jogar um quiz interativo com factos do cantor. O começo revelou o primeiro de quatro atos, criando um ambiente digno de peça de teatro musical; “a wishbone never breaks even”, num cenário idílico, abriu com “My World”, uma escolha segura que garantiu a entrada para o mundo interno de Gray, que alegremente gritou um “Olá Lisboa!” bem português. Quem desconhecesse a discografia do artista, poderia até pensar que o concerto seria um palco para danças livres e divertidas, dadas as primeiras músicas e espírito de Conan Gray. Mas canções sobre corações perdidos também podem ser mexidas… certo?
Assim se sucedeu o segundo ato “i got the short end of the stick” que nos trouxe uma mistura de temas novos e antigos, e culminou numa sessão íntima e aconchegante à volta da fogueira. Um dos momentos mais esperados da noite levou a Meo Arena a um estado de euforia, pois a música surpresa para Lisboa foi “Summer Child”, uma das músicas escritas pelo artista durante a pandemia, pertencente ao álbum “Superache” (2022). Foi, sem dúvida, uma experiência comovente para os presentes que se sentiram muito especiais por receberem uma canção tão importante, e nunca antes tocada ao vivo.
O terceiro ato “i took the long way to realization”, talvez o mais catártico de todos, garantiu interações memoráveis com os fãs, incluindo a quebra do wishbone – um jogo entre Conan Gray e uma pessoa escolhida do público em que, quem ficar com a parte maior do osso, escolhe uma de duas músicas para ser tocada. Foi especial, engraçado e uma grande responsabilidade por parte da fã portuguesa, que acabou por escolher “The Exit”. Pelo tremor da bancada e o enorme eco de gritos, foi uma boa escolha. Seguiram-se “Heather” e “Connell”, do primeiro (“Kid Crow”, 2020) e último álbum (“Wishbone”, 2025) respectivamente, numa explosão de vocais épicos de Gray.
O último ato “i wished for love, i found it”, expressou a gratidão, o amor e a paixão pela performance, com “Maniac” e “Vodka Cranberry”, dos temas mais populares da sua discografia atual. E a melhor maneira de encerrar um dos concertos mais sentidos e simbólicos do ano, só com o encore de “Memories” e “Caramel”, que cobriram a Meo Arena de confetis, ovações e despedidas.

