23 Jun 2018 a 30 Jun 2018

O triunfo do pop no 2º dia do Rock In Rio Lisboa 2018

O triunfo do pop no 2º dia do Rock In Rio Lisboa 2018

Com bilhetes esgotados desde Abril, o dia 24 de Junho levou 85.000 pessoas à Bela Vista. Com uma mobilidade entre palcos hercúlea, e com filas para as filas, todos passaram pelo Rock In Rio, desde o veterinário da gata ao primo da amiga da tia.

As “chaves” do Palco Mundo foram novamente entregues a um artista nacional. Desta vez o dignatário foi o lisboeta Bernardo Costa. Perdão, Agir.

Se muitos estranharam ver Agir no cartaz do NOS Alive 2016 vê-lo no line up do Rock In Rio Lisboa pareceu perfeitamente normal. Com uma plateia recheada (se bem que era difícil haver algum palco que não estivesse apinhado) Agir provou que continua a ganhar território na música nacional e que tem uma base de fãs em ascensão. Cantou temas como Mountains com a ajuda de Carolina Deslandes, Manto de Água, Ninguém Vai Saber com a convidada Manu Gavassi, Make Up, Como Ela é Bela, ou Parte-me o Pescoço e feito casamenteiro chegou a ajudar a um noivado. No alto da Bela Vista o Music Valley começava a aquecer.

Os HMB são outra prova de sucesso da música nacional e como Héber Marques dizia, a música portuguesa parece estar mesmo em altas. Depois da travessia custosa para o canto oposto do recinto soube bem parar naquela bolha de funk e soul em que não havia um corpinho que conseguisse ficar parado. Emicida, que antes tinha entrado em palco como Língua Franca, deu uma ajudinha em Estrela Brilha. Por muito que quiséssemos ficar, era tempo de voltar a atravessar os vales para uma visitinha ao Rio de Janeiro.

Anitta é um autêntico fenómeno. Se dúvidas houvessem, a quantidade de pessoas que se deslocou ao Rock In Rio para ver a cantora carioca deitou tudo por terra. Portugueses, espanhóis, brasileiros, por muito que o funk brasileiro seja muito pouco unânime, a verdade é que a cantora há muito que deixou de ser o segredo bem guardado do Brasil e tem sido das maiores promotoras do género.

Anitta é funk, é até sertanejo quando quer, mas é sobretudo pop e o alinhamento do concerto foi prova dessa mesma versatilidade. Ouviu-se J Balvin, Maluma, ouviu-se até Drake, Migos e Cardi B. A máquina de produção por trás de Anitta sabe exatamente o que o público quer ouvir e sim, até a intro de Faz Gostoso não ficou de fora.

Com sorriso estampado cara a carioca agradeceu o amor dos portugueses, sendo este o seu maior concerto até à data fora do Brasil, mas retribuiu igualmente o amor aos brasileiros que acreditaram nela desde o início como MC Anitta.

Downtown, Paradinha, Vai Malandra e Show das Poderosas foram das músicas que mais fizeram vibrar o público, que tinha todos os hits na ponta da língua por sinal. Garota de Ipanema foi a oportunidade que tivemos para ouvir a voz de Anitta sem distrações em palco. Houve bailarinos, pole dancing, grafiti, motos em palco, e sim, houve muito mas muito trabalho de rabo, e nem tanta voz assim, mas ela é funkeira pura e vamos perdoar.

Depois do furacão Anitta foi tempo de acalmar o motor para a estreia de Demi Lovato em Portugal.

Bem longe do seu registo dos tempos Disney, Demi quase que nos forçou a reconhecer a sua capacidade vocal num concerto que foi, arriscamos dizer, puramente para os verdadeiros fãs, e que não aqueceu assim tanto o coração de todos os outros.

Não faltaram temas como Heart Attack, Skyscrapper, Sorry Not Sorry e até mesmo Échame La Culpa, música em que colaborou com Luis Fonsi. Surpreendentemente, para o final guardou Sober, música que lançou na última semana e que remete para a luta que tem ultrapassado contra o alcoolismo desde 2012. Vimos uma Demi frágil e em lágrimas, tal como o público.

Mas vamos até ao homem da noite que apesar do seu 1,65m tem pouco de pequeno, Bruno Mars.

Com um alinhamento praticamente idêntico ao do concerto de Abril na Altice Arena (igualmente esgotado), Bruno Mars voltou pela 3ª vez a Lisboa e sem rodeios foi o homem da noite, possivelmente o homem deste Rock In Rio.

Pouco depois das 23h temos o arranque com Finesse convidando-nos desde cedo para suar com ele. Missão cumprida.

Com um planeamento espacial milimétrico, com fogo de artificio cronometrado ao microssegundo com as coreografias, alternando sem qualquer problema entre o funk, hip-hop, soul e power balads bem à anos 90, Bruno Mars não parou um segundo, nem deixou que ninguém parasse.

Acompanhado pela sua banda The Hooligans, ofereceu-nos uma sucessão de hits. Deu-nos as bem groovy 24K Magic, Treasure, Chunky ou That’s What I Like mas não deixou de fora as mais smooth como Versace on the Floor ou mesmo Calling All My Lovelies com um momento acapela em português “Eu quero você meu amor” que arrancou gargalhadas puras entre o público. Para o final ficou guardado um trio irrepreensível: Locked Out of Heaven, Just The Way You Are e Uptown Funk.

Só em 2018 somou 7 Grammy’s. Não há dúvidas de que sabe a fórmula do sucesso, nem da sua competência e talento. É enorme.

 

Passaram 156 mil pessoas pela Bela Vista no primeiro fim de semana do Rock In Rio Lisboa 2018. Depois do triunfo da música pop o Rock In Rio volta a 29 e 30 de Junho. Até lá!

 

N.R.: Por opção do artista não nos foi possível fotografar o concerto de Bruno Mars

Mónica Borges  

Acho todos os cães bonitos, gosto de festivais e ainda mais de imperiais.


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Mais sobre: Agir, Anitta, Bruno Mars, Demi Lovato, HMB


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