Nunca um festival foi tão Gen-Z: Olivia Rodrigo foi coroada no NOS ALIVE

O NOS Alive voltou ao Passeio Marítimo de Algés e arriscamo-nos a dizer que é o primeiro dia de um festival em Portugal em que todos os artistas do palco principal são da Geração Z.
Ainda estávamos nós a sair da cama e já estava Algés carregada de fãs da Olivia Rodrigo. A fila começou a formar-se de madrugada e a verdade é que até abrirem as portas do recinto foram cada vez mais pessoas a chegar ao recinto, relembrando-nos da estrela mundial que é a Olivia Rodrigo.
A tarde no Palco NOS arrancou com Mark Ambor, com o seu pop-folk leve, a tocar tanto para quem já o conhece, como para os fãs de Olivia Rodrigo e fãs de músicas virais como Belong Together, que foi das mais cantadas.
O primeiro cabeça de cartaz a pisar o palco principal foi Benson Boone. E não fosse sabermos que é norte-americano, diríamos que era mais um inglês com um escaldão acabado de sair da Rua Cor de Rosa, no Cais do Sodré. E o próprio justificou o seu outfit: “Preparei um fato com um zipper que mostrava mais. Mas fui à praia apanhar sol durante meia hora e pareço uma lagosta”, explicou sorridente.
Benson dá um concerto muito enérgico e nunca para quieto em palco, partindo até para a ginástica acrobática e fazendo os seus já característicos mortais e piruetas. Com apenas 23 anos, já é uma autêntica superestrela e dá um concerto que podia ser de um dos maiores artistas mundiais, tranquilamente. Muita dinâmica em palco, voz sempre no ponto e energia perfeita para um festival. Mesmo que a noite não fosse inteiramente dele, será muito difícil alguém ter ido para casa com a ideia de que Benson Boone não deu tudo.
Depois de mortais, piruetas e uma espécie de furacão que passou por este palco, ninguém esperava um artista tão “calminho” e melancólico como Noah Kahan. E a verdade é que a música melancólica, a guitarra e o banjo afastaram muita gente que foi jantar.
Mas o concerto não podia, obviamente, acabar sem o hino que fez Noah tornar-se um fenómeno: Stick Season. Aí, sim, o recinto transformou-se e cantou em uníssono o êxito do cantor Norte-Americano.
Já os Glass Animals parece que chegaram ao palco Heineken com apenas um objetivo: provar que um palco alternativo é demasiado pequeno para eles e, pelo menos, para mim, conseguiram. Dave Bayley dançou, correu e dominou cada centímetro daquele palco. Tudo isto enquanto entregava os agudos das canções com uma precisão que calou qualquer cético. Foi uma demonstração de força que merecia um palco maior há muito tempo. O clímax do concerto foi mesmo com Heat Waves, que meteu toda a gente que ali estava a dançar e a cantar.
No palco ao lado, a portuguesa Iolanda mostrava que é possível fazer frente a nomes grandes e deslumbrou uma plateia bem composta. Vestida de branco, prontificou-se a casar com o público do NOS Alive e foi a “Cura” dos males de tantos presentes.
Quando a cabeça de cartaz do primeiro dia do NOS Alive finalmente subiu ao palco, a primeira onda sonora não veio das colunas, mas sim da plateia: um grito ensurdecedor, quase gutural, não fosse Olivia Rodrigo a autora do álbum “Guts”. E deu um concerto digno de Rock Star, num minuto a gritar e a saltar ao som de Bad Idea, Right?! e noutro sentada ao piano a tocar Driver’s License.
Claramente as fãs de Olivia têm o sistema nervoso em dia, porque este concerto é uma autêntica sessão de terapia a céu aberto. E não é um concerto de uma diva pop sem mudanças de outfits, claro. Sai o top preto e os calções prateados e entra a saia preta.
Muita energia, muitos gritos e claro que fica ofegante: ela não para quieta um único segundo. Corre, salta, dança… A despedida foi puro rock’n’roll. Ao som de Get Him Back e no centro do furacão de confettis, pegou nas baquetas e fez um solo de bateria improvisado. Final perfeito para este concerto.
E quando o palco principal se calou, houve peregrinação de grupo para o palco Heineken. Parov Stelar já são um clássico do NOS Alive e uma festa garantida. Música eletrónica adornada com instrumentos de sopro e voz ao vivo. Receita infalível para meter toda a gente a dançar.
E para os sobreviventes que aguentaram, chegou o comboio Nathy Peluso, pronta para levantar os ânimos a todo o gás. Até porque subir a um palco às duas e vinte da manhã de uma quinta-feira é um trabalho para especialistas. O público está cansado, o vento aperta e a qualquer deslize as pessoas vão para casa.
A artista argentina-espanhola é uma autêntica força da natureza em palco e domou um público que estava pronto para a ouvir. Com uma entrada épica, acordou todos os que já estavam a ficar com sono. Mas a verdade é que nem toda a energia do mundo ia aguentar o público no recinto. Precisámos de um regresso da argentina em breve, e a horas menos “perversas”.
Nota da redação: Olivia Rodrigo apenas autorizou que alguns meios a fotografassem.

