Nik Kershaw no Coliseu em noite para partilhar com os amigos

Nik Kershaw no Coliseu em noite para partilhar com os amigos

Prolíficos e inspiradores, os anos 80 têm em Nik Kershaw um dos seus grandes representantes e, na noite de 8 de março, a década ficou bem entregue no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Sim, leu bem: Nik Kershaw. O rapaz que, nos anos 80, marcou pelo cabelo espetado e sobrancelhas bem vincadas, a par de uns quantos sucessos musicais fortemente electro-pop, veio a Portugal para um concerto que merecia ter muito mais público e bastante mais participativo.

Ainda assim, cedo o cantor inglês disse estar feliz por estar pela primeira vez em Portugal (na verdade já tinha estado no festival “Here and Now”, em 2009, pelo que, provavelmente se referia a um concerto só seu).

O concerto foi todo ele pulverizado pelos temas dos anos 80, ainda que o cantor não se tenha esquecido de mostrar um pouco da sua obra recente como aconteceu quando tocou a canção que escreveu para a filha e que está no mais recente álbum, Ei8ht, de há seis anos.

Além de todos os bons predicados que se atribuem a Nik Kershaw, como a excelente voz que tem, foi um gosto descobrir que também é um talentoso guitarrista que ali está e que divide o palco com outros quatro músicos que trouxeram arranjos mais modernos e mais rockeiros a canções tão icónicas como as que saíram do álbum The Riddle, de 1984. Ainda que pouco mexido, o público presente, todo já com mais de 40 anos, cantou temas como The Riddle ou Wouldn’t It Be Good (os mais esperados), bem como Don Quixote e Roses que o músico escolheu tocar já em encore. Claro que o “polite british” foi sempre agradecendo os aplausos e antecipava a música seguinte com um simpático “please, enjoy it!”.

These Tears e Wide Boy abriram a noite morna que, à terceira música, ganhou logo o seu primeiro momento especial com Can’t Get Arrested, uma balada que Nik Kershaw tocou pela primeira vez em público aqui no Coliseu. Dancing Girls, a que abre o álbum de estreia, Human Racing, foi a quarta da noite. Não faltaram os sonantes e populares Wouldn’ It Be Good ou I Won’t Let The Sun Go Down On Me. Este “hino” fechou o concerto antes do encore num momento de grande cumplicidade com o público, quando o cantor “cala” todos os instrumentos e nos põe a cantar o refrão a capella uma e outra vez. Bogart e Human Racing, ambas do disco de estreia, também fizeram parte do alinhamento, bem como Radio Musicola – a única a sair do álbum com o mesmo nome, de 1986.

Mas nem só de Nik Kershaw se fez o concerto no Coliseu dos Recreios. O seu tributo “a um homem que foi muito importante”, foi prestado com Ashes to Ashes, de David Bowie, reconhecido por todos e, mesmo antes das luzes se acenderem para a despedida, a sua versão de Human, dos Killers.

Tal como Stevie Wonder e Kate Bush, por exemplo, Kershaw conseguiu levar aos primeiros lugares das tabelas de vendas músicas onde tinha um registo vocal diferente mas suficientemente bom para o ouvinte não estranhar. Quanto às letras das músicas, as rimas não foram feitas ao acaso e tudo acaba por fazer sentido e encaixar perfeitamente ainda hoje. The Riddle continua a ser uma canção pungente e com a qual o público melhor se “relaciona”. O pouco público não o parece ter afetado em nada. Como se, alguém que já chegou até aqui, não tivesse que se desculpar ou justificar por nada.

Texto: Daniela Azevedo
Fotos: Tânia Fernandes / Canela & Hortelã

Daniela Azevedo  

Jornalista, curiosa sobre os media sociais, viciada em música, gosta da adrenalina do desporto motorizado. Amiga dos animais e apreciadora de dias de sol. Acha que a vida é melhor quando há discos de vinil e carros refrigerados a ar por perto.


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