Nenny lança álbum de estreia “ID”, já disponível em todas as plataformas digitais

Nenny lança álbum de estreia “ID”, já disponível em todas as plataformas digitais

Quando editou “Sushi”, a artista tinha uns precoces 17 anos. Agora, aos 23, é altura de reconhecer o trabalho investido e a sofisticação das suas habilidades. “Ganhei muita maturidade ao longo dos anos e consegui reinventar-me, ser a artista que sempre quis ser”, diz Nenny, de um disco que condensa “as experiências que eu tive, os desejos que tenho, mas também o que ainda sonho conquistar”.

“Já passou ‘21…”: o ano em que não só participou no NPR Tiny Desk e no A COLORS SHOW, como foi nomeada para três prémios Play. “…but I’m still number one”, entoa Nenny hoje, num álbum que se propõe a mantê-la no topo. ID é a declaração magnetizante de uma artista com “uma visão positiva e próspera” da sua arte. E é também “uma chamada de atenção” a um “sistema que muitas vezes nos limita a ser o que nós realmente somos”, por alguém que aprendeu a fintar as categorias com destreza.

Autobiografia e manifesto criativo fundem-se em “Fácil”, entre o ritmo impiedoso das barras de Nenny e o verniz pop dos sintetizadores. Nesse que é um dos pontos altos em ID, Nenny não só se desmarca dos rótulos colados à sua obra, como nos relembra da fonte aonde todos vamos beber. “O ADN destas músicas todas vem de várias comunidades negras na diáspora”, diz, olhando de frente para um país com dificuldade em reconhecer a história da negritude para lá do entretenimento, e o sangue derramado ao longo de séculos.

“Onde Eu Cresci” é uma árvore genealógica desenhada pelo som. Guitarra e coros, cavaquinho e acordeão ensinam a festejar a saudade, o apego a Cabo Verde: lá estão as raízes da artista, bem como das vozes convidadas, a veterana Lura e o inegável Bluay. Aproximando-se da sua herança musical, sem sacrificar a sua visão de futuro, Nenny confirma-se a vocalista segura que já ia mostrando ser. Assim acontece também em “Eu Quero um Preto”, uma sensação viral que não precisou de abdicar da musicalidade: resiste ao acelerador e finca o pé numa neo soul de órgão e percussão quente, tão sensual como vulnerável.

Nenny não teme esses momentos: canta a solidão, até porque a sabe transformar num superpoder (basta ouvir “Hero”, balada de isqueiro na mão). Na celebração reservada da última canção, “Sarar”, não se apagam os medos e os estilhaços de um coração partido – mas são apenas cicatrizes, passos no sentido de algo maior. E se a algum ponto se pensar que Nenny abrandou ou está a ter piedade de nós, estão aqui, à mão de semear, os antídotos: a implacável e vibrante faixa-título do álbum, a autoproclamação de uma estrela em “That Girl”, e todas as colaborações, de Carla Prata aos Wet Bed Gang (nunca vai deixar de ser “a filha dos filhos de Rossi”), de Bispo a Jota.pê.

Em ID, não há um refrão menos que orelhudo, uma vocalização fora do sítio, um verso desajeitado. Sabíamos do que é capaz Nenny enquanto performer e compositora – agora, legitima-se enquanto autora de um álbum, com uma visão de longa duração e a longo prazo. “Here’s my ID: N-E-N-N-Y, that’s me”: do “V-Block” para o mundo.

Fonte: Press Release


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