10 Jul 2025 a 12 Jul 2025

Nem Justice, nem FINNEAS salvam o 2º dia de NOS Alive

Nem Justice, nem FINNEAS salvam o 2º dia de NOS Alive

Diretamente do tempo cinzento norueguês para um dia cinzento de verão em Lisboa, Girl In Red abriu as hostes no Palco NOS no 2º dia de NOS Alive.

Com um concerto marcado pela sua energia contagiante, alguns percalços técnicos e uma celebração aberta da sua identidade. “Estamos em Lisboa e esta é uma palavra muito parecida com lésbica”, brincou a cantora com o público.

Girl In Red acabou o concerto com I wanna be your girlfriend, aventurando-se num pequeno crowd surfing, deixando em delírios os fãs das primeiras filas. Ótima estreia no palco principal, após ter tocado no secundário em 2023.

Às 20h00 em ponto, os The Wombats subiram ao palco principal com uma tarefa difícil, substituir uma das maiores promessas do rock britânico, Sam Fender. Não havia muito público no palco principal, mas quem lá estava sorriu com o aviso de Matthew Murphy: “Olá a todos! Não somos o Sam Fender”.

Por muito que os músicos tentassem animar os espetadores, tinham em mãos uma tarefa muito difícil, visto que maior parte das pessoas que se encontravam no Passeio Marítimo de Algés, estavam a passear pelo recinto ou em filas para variadíssimos brindes. A verdade é que haveria muitos outros artistas que atuaram em palcos secundários neste dia que poderiam substituir Sam Fender, como Finneas, St. Vincent ou até Capicua.

E por falar em Capicua… No palco ao lado, entre o NOS e o Heineken, encontramos a rapper e o seu “Gelado Antes do Fim do Mundo”, no palco WTF Clubbing. Com uma plateia bem composta (quase mais composta do que para The Wombats), a portuense cantou músicas do seu mais recente projecto mas não deixou de lado os temas mais conhecidos, como Vayorken ou Circunvalação.

Não nos foi concedida autorização para fotografar o concerto de Justice no Palco NOS. No entanto, a dupla francesa chegou a Algés com o objetivo de energizar as poucas pessoas que estavam no recinto. Comparado com ontem, parece outro festival.

Apesar de não nos ter sido concedida autorização para fotografar o concerto, os Justice subiram ao Palco NOS com uma missão clara: energizar um recinto que, comparado com a véspera, parecia pertencer a outro festival, graças às poucas pessoas que estavam no festival. A tarefa da dupla francesa era, por isso, dupla: lutar contra a apatia e provar que a sua música bastava para encher o espaço.

Com uma cruz gigante, imagem de marca dos franceses, a iluminar o público, transportaram-nos para um ambiente de discoteca, com malha eletrónica atrás de malha eletrónica, “obrigando” a que toda a gente tire o pé do chão. Muitos dançarinos, muitos gritos e, finalmente, algum entusiasmo. Um espétaculo de alta produção, iluminação megalómana e painéis LED que acompanham todas as batidas. Misturaram os clássicos como D.A.N.C.E. e We Are Your Friends com músicas do novo álbum Hyperdrama, como Neverender, com Tame Impala.

Vamos arrumar já o assunto: sim, ele é o irmão de Billie Eilish. Agora que essa formalidade está falada, podemos escrever sobre o artista que, na noite de sexta-feira, usou o Palco Heineken como quem faz um ensaio de luxo antes de tomar o castelo de assalto. Com um concerto e públicos dignos de cabeça de cartaz, FINNEAS subiu a um palco manifestamente pequeno para a multidão que o esperava. Um piano, uma guitarra e as suas baladas chegaram para deixar os festivaleiros satisfeitos.

Que ninguém se engane. A enchente no palco secundário não foi uma feliz coincidência. Foi um aviso à organização. O regresso de FINNEAS para um palco maior não é uma questão de “se”, é uma questão de “quando”.

Anyma era o cabeça de cartaz deste segundo dia, mas a verdade é que muitos só o conhecem de pequenos clips nos Reels e no TikTok. O ítalo-americano fechou o segundo dia do festival com o seu espetáculo, mais marcante por ter visuais marcantes, futuristas e que desafiam algumas leis dos ecrãs 2d. São humanóides, robots, túneis, labirintos, seja o que for é sempre ao ritmo da música. O house progressivo do DJ não foi suficiente para fazer com que as pessoas não fossem para casa, o recinto foi se esvaziando e cada vez mais se via a relva sintética.

E quando a noite já pedia uma conclusão: chegou St. Vincent . Agarrou quem ficou pelo recinto com uma performance carnal, inteligente e perigosa, a lembrar que a música ao vivo é risco e conexão e não um ficheiro de vídeo para o TikTok. Uma hora de pura eletricidade que provou que, no fim de contas, nada bate a energia de uma artista a deixar tudo em palco. Um final de noite inesquecível.

Nota da redação: Anyma não se deixou fotografar pela imprensa e Justice apenas autorizaram que alguns meios os fotografassem.

Tomás Lampreia  

O Tomás gosta de ler, escrever, ouvir e ver. Tem 19 anos e é estudante de Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social. Sonha ser tudo, mas ainda não é nada.


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Mais sobre: Anyma, Capicua, FINNEAS, Girl in Red, Justice, St. Vincent, The Wombats


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