Muse, a apólice de seguro perfeita para o NOS Alive

Muse, a apólice de seguro perfeita para o NOS Alive

A edição de 2025 do NOS Alive guardou o dia do rock para o fim. Porque a verdade é que festival não é festival sem um dia em que não possamos trazer as nossas t-shirts pretas. Depois de pop e eletrónica chegou a altura de pegar nas guitarras e fazer o nosso melhor headbanging.

O dia de sábado começou com CMAT no Palco NOS, a cantora irlandesa, destacou-se com a sua mistura de pop, country e folk. Ciara Mary-Alice Thompson deu um concerto divertido, com uma energia contagiante, captando alguns dos fãs de Muse e Nine Inch Nails que estavam na fila da frente. Num dos melhores momentos do concerto, saltou a grade e foi dançar para o meio do público, que a recebeu em festa.

Havia uma única moeda que os Jet podiam apostar ao subir ao Palco NOS ao final da tarde: a da nostalgia. Mas nem isso salvou a banda australiana. O que podia ter sido uma celebração enérgica do rock dos anos 2000 soou, em vez disso, a um exercício de apatia. A banda australiana subiu ao palco com uma atitude burocrática, entregando um concerto tão desinspirado que nem os acordes familiares conseguiram esconder a falta de vontade.

O resultado foi um concerto que não só desiludiu, como serviu de aviso: se antes já não eram muitos os que pediam o regresso dos Jet, a atuação de hoje garantiu que esse número será, no futuro, ainda mais reduzido. O melhor momento do concerto foi, ainda assim, Are You Gonna Be My Girl, o hit de 2003.

No palco secundário, voltámos a dar lugar ao rock em feminino.O concerto de Amyl and The Sniffers incendiou o Palco Heineken com uma descarga de punk elétrico e atitude contagiante. Amy Taylor liderou a banda australiana num set energético, com temas do novo álbum Cartoon Darkness — marcado por críticas à sociedade e letras sobre ansiedade e resistência coletiva. O público reagiu à fúria de faixas como “Security”, “Doing In Me Head” e “Chewing Gum”, numa atuação crua, intensa e sem concessões, que confirmou o estatuto dos Amyl como uma das bandas mais explosivas do festival.

Parece que se está a começar uma nova tradição nos festivais em Portugal: um cabeça de cartaz cancela e a organização chama os Muse. Depois de terem ocupado o lugar dos Foo Fighters no Rock in Rio em 2022, a história repete-se, consolidando o estatuto da banda como a mais competente apólice de seguro dos festivais de verão. Porque Muse não falha. Nunca.

O concerto começou com o pé direito, ao som de Unravelling, o palco explodiu em chamas, aquecendo literal e figurativamente o público que tanto os esperava. E logo a seguir o ecrã gigante mostrou o baixista Christopher Wolstenholme e a camisola da seleção portuguesa com o nome de Diogo Jota nas costas, gesto que aproximou ainda mais o público da banda.

A genialidade dos Muse está na forma como conseguem gerir a energia do público. Eles sabem quando carregar no acelerador ou quando abrandar. O momento perfeito para abrandar é mesmo com Unintended, “obrigando” o público a levantar as lanternas dos telemóveis no ar. E quando menos se estava à espera, os golpes finais dos Muse, Supermassive Black Hole e Uprising. O encore foi explosivo, com Undisclosed Desires e Starlight, explodindo com fogo de artifício no céu de Algés.

Ainda não tinha acabado a festa dos Muse no Palco NOS e já estavam os Foster The People a entrar no Palco Heineken. Com a sua energia indie característica encheram a tenda do palco secundário. Liderados por Mark Foster, a banda entregou um concerto de energia imaculada, boa disposição e muita dança. Claro que tudo culminou em Pumped Up Kicks, uma espécie de um hino de todas as pessoas que já foram crianças.

Não havia banda melhor para acabar a festa do que Nine Inch Nails, uma experiência imersiva e intensa que mais pareceu um encontro de um culto sobrenatural, e ainda bem. O público entrou nesta mentalidade e entregou-se de braços abertos a este concerto.

Foi uma hora de som industrial, luzes agressivas e uma fúria controlada, com o grito coletivo de God is dead a ecoar pelo rio Tejo como uma declaração de força partilhada entre a banda e o público do Alive. E depois da tempestade, a calma. O fecho do concerto, e do palco principal, chegou com Hurt, a balada icónica que silenciou a fúria e trocou a energia agressiva por uma beleza melancólica e inesquecível.

O concerto dos Future Islands, à uma e quinze da manhã, no Palco Heineken, foi praticamente um one man show. Samuel T. Herring pegou no Alive pelos colarinhos e uniu a plateia que se juntava ali para acabar a noite de melhor maneira possível.

Nota da redação: Nine Inch Nails apenas autorizaram que alguns meios os fotografassem.

Tomás Lampreia  

O Tomás gosta de ler, escrever, ouvir e ver. Tem 19 anos e é estudante de Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social. Sonha ser tudo, mas ainda não é nada.


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Mais sobre: Amyl and the Sniffers, CMAT, Foster the People, Future Islands, Jet, Muse, Nine Inch Nails

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