Modern Nature actuam pela primeira vez em Portugal com concerto no Porto e em Lisboa

Os Modern Nature estreiam-se em Portugal numa fase decisiva do seu percurso: não tanto de reinvenção, mas de fortalecimento enquanto banda. Liderado por Jack Cooper, o projeto começou como uma formação fluida, aberta à experimentação e à transformação constante, mas durante a digressão de No Fixed Point In Space (2023) tornou-se claro que algo estava a mudar. Depois de anos a expandir-se de forma livre e abstrata, a música parecia agora pedir estrutura, forma e direção mais concretas. À medida que os temas se organizavam em grooves mais definidos, Cooper percebeu que um novo capítulo se tinha aberto.
Esse momento coincidiu com uma consolidação natural da formação. O núcleo duro — Cooper (guitarra), Jim Wallis (bateria) e Jeff Tobias (baixo) — ganhou uma nova dimensão com a entrada da guitarrista Tara Cunningham. O resultado foi um som mais focado e poderoso, assente num diálogo constante entre duas guitarras que funcionam como uma unidade, criando equilíbrio, tensão e movimento em torno da secção rítmica. Onde antes havia múltiplos músicos em órbita, ficou claro que quatro pessoas eram suficientes para dizer mais, e com maior clareza.
The Heat Warps (2025) surge como despertar criativo e corolário desta metamorfose. O álbum retoma temas recorrentes na música dos Modern Nature — o coletivismo, a relação com o mundo natural, o peso da consciência — mas fá-lo agora de forma mais direta, urgente e assumida, num mundo que se tornou mais confuso, mais duro e, por isso mesmo, impossível de ignorar.
Gravado num processo intenso que privilegiou a energia do grupo a tocar em conjunto, The Heat Warps capta a telepatia e a fricção de uma banda no mesmo espaço, com todas as imperfeições e subtilezas que isso implica. Influências como Can, Television, Brian Eno ou até a filosofia de Andrew Weatherall cruzam-se com reflexões sobre crise ambiental, desinformação e responsabilidade coletiva, sem nunca cair no cinismo. Apesar de lidar com realidades sombrias, o disco mantém um otimismo lúcido, encontrando beleza, consolo e até uma espécie de “niilismo romântico” no meio do caos.
É neste ponto de clareza artística, coesão e ambição renovada que os Modern Nature chegam, pela primeira vez, a Portugal para apresentar The Heat Warps ao vivo. Dois concertos — 16 de abril na Casa Capitão, em Lisboa, e 17 de abril no M.Ou.Co, no Porto — para descobrir uma banda em plena afirmação, onde a intimidade, a intensidade e a sensação de algo vivo e irrepetível em palco são parte essencial da experiência.
Fonte: Press Release

