MEO Kalorama – dia 3: Diversidade na Bela Vista!

O terceiro e último dia de Meo Kalorama teve espaço de sobra para gostos diferentes. O dia mais eclético desta edição. O nosso destaque, naturalmente condicionado pela grande oferta, começa com BadBadNotGood que se apresentaram no palco San Miguel pelas 19h55. Já muito conhecidos do público português, mostraram-se iguais a si próprios trazendo um set em que se cruzam jazz, soul e hip hop a que o público reagiu da melhor maneira desfrutando da sofisticação dos canadenses.
O serão propriamente dito continuou a dar largas à diversidade com a israelita Noga Erez no Palco Meo e os australianos Royel Otis no palco San Miguel. Se é verdade que a atuação da israelita prendeu o público desde o primeiro momento com a sua presença forte e uma batida crua e simultaneamente encantatória, o som de Royel Otis fez dançar uma multidão entusiástica em que pudemos contar inúmeros fãs que conheciam cada verso dos temas interpretados, com uma explosão de energia a ter lugar com a cover de Murder on the Dance Floor.
Foram duas atuações muito interessantes também ao nível da imagem. Noga Erez transpira um charme jovial, descontraído e irreverente com a sua pop eletrónica a que não faltam mensagens políticas (no sentido lato) que vão do apelo à paz, até às críticas, e até à prevenção, de relacionamentos tóxicos. No palco San Miguel o indie rock da dupla australiana teve como poderoso aliado um video wall com inúmeras mensagens impregnadas de humor cinematográfico e um nadinha dark que fez a diferença numa atuação marcada pelo ambiente festivo.
Jorja Smith subiu ao palco Meo pelas 23:25 trazendo um set forte ainda que curto. Um espetáculo deveras emotivo em que esta voz quente do R&B contrariou, de alguma forma, o vento que se fazia sentir. O clima intimista foi criado pela voz da britânica aliada aos tons suaves da luminotecnia. Apesar de algumas “contrariedades sonoras” causadas pelo já referido vento, os fãs saíram com vontade de mais, fazendo votos de que o desejo de voltar, expresso pela cantora, se concretize o quanto antes.
Contrariamente ao mais habitual nos festivais, um nome português, Branko, teve honras de fecho do palco San Miguel com um concerto em que os temas de “Soma”, editado em 2024, marcaram a noite.
A eletrónica com pendor universalista do lisboeta manteve o público atento e em movimento até à atuação de Damiano David, que chegou viu e conquistou. A receita era basicamente infalível: o ex-vocalista de Maneskin trouxe o seu lado carismático envolto numa camisola da seleção portuguesa. Os fãs mais saudosos da banda italiana terão sentido algum desapontamento pelo facto de o concerto não incluir temas desse projeto. Porém, a autenticidade de Damiano David e os elogios a Portugal, aos Napa e à canção com que representaram Portugal na Eurovisão, fizeram render até os mais reticentes.
O Meo Kalorama tem regresso marcado para agosto de 2026, como sempre no Parque da Bela Vista, esperando-se que, à semelhança de outras edições, o público acorra em força. Assim ajudem o cartaz e o bom tempo.

