Manel Cruz desligou e voltou a ligar, e ainda bem

Manel Cruz desligou e voltou a ligar, e ainda bem

O ex-Ornatos regressou aos discos e aos palcos e, na passada quarta-feira, levou Vida Nova ao Capitólio perante uma sala cheia.

Sala esgotada em noite de feriado e um entusiasmo geral para o regresso de Manel Cruz a um palco da capital. Com Vida Nova para apresentar, o homem que começámos por conhecer como vocalista dos Ornatos Violeta entrou em palco sorridente e cedo começou a conversar com o público. Entre temas, na sua grande maioria do novo trabalho, era aclamado pelos presente em frases mais ou menos perceptíveis. Quando a certa altura um teclado aparentou deixar de funcionar, alguém berrou ”desliga e volta a ligar!”, ao que Manel respondeu que já o tinha feito, antes de descobrir que na verdade a falha tinha sido sua e tudo estava bem com o tal teclado. Um momento que acaba por descrever bem o ambiente vivido na sala e o à vontade de Manel Cruz. Daquilo a que poderemos chamar a primeira parte do concerto, destaque para Como Um Bom Filho do Vento, Anjo Incrível e as já conhecidas Cães e Osso e Ainda Não Acabei. Esta última, que já conhecemos há quase dois anos, terminou com um loop da frase que lhe dá título, num statement bem claro: Manel Cruz voltou para ficar.

A inédita Algures Perto do Mar abriu caminho para um regresso “à toca do bandido”, ou seja, a temas de Foge Foge Bandido. As Minhas Saudades Tuas, Canção da Canção Triste (dedicada a Nuno Prata) e Borboleta foram as mais celebradas desse registo, mas foi com a nova O Navio Dela que se ouviu toda a sala em uníssono naquela estrofe inicial. Houve ainda tempo para duas canções que deixaram Manel Cruz sozinho em palco, sentado e à guitarra (O Céu Aqui e Reencontro), uma visita ao projecto/canção Ovo e ainda não um nem dois, mas quatro encores. Se depois de dois regressos a palco Capitão Romance deixou a plateia ao rubro, a derradeira despedida fez-se ao som de Não Aldrabes.

Se há uns anos imaginarmos um regresso aos grandes palcos dos Ornatos Violeta seria demasiado utópico, o que dizer de um regresso aos discos e aos palcos de Manel Cruz, em nome próprio e com tamanha e notável alegria?

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gostava de cogumelos mas agora até os tolera. Continua sem gostar de feijão verde.


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