Malovolence deixam um rasto de destruição em Lisboa

Malovolence deixam um rasto de destruição em Lisboa

Fotos cedidas por: Jorge Botas (Metal Global)

Num final de tarde soalheiro, ainda que ventoso, o ligeiro atraso na abertura de portas do LAV – Lisboa ao Vivo acabou por ser apenas um detalhe numa noite que se transformou numa autêntica demonstração de força, energia e adrenalina. Daquelas em que o corpo paga a fatura no dia seguinte. 

Os Malevolence chegaram a Lisboa envoltos na expectativa de quem é hoje uma das maiores referências do Metalcore contemporâneo e a resposta do público fez justiça à reputação dos britânicos. Talvez motivados pelos problemas logísticos na deslocação entre Espanha e Portugal, os músicos de Sheffield apresentaram-se particularmente agressivos e determinados a esgotar todas as reservas de energia de uma sala pronta para o confronto. Mosh pits, circle pits e um caos quase permanente marcaram uma atuação onde houve de tudo: quedas, pés torcidos, cabeças abalroadas e inevitáveis nódoas negras, sempre com os níveis de adrenalina no máximo.

Musicalmente, a banda ofereceu uma verdadeira lição de Metalcore com fortes raízes Hardcore, alternando temas do recente Where Only the Truth Is Spoken com momentos já indispensáveis como “Serpent’s Chokehold” e “Higher Place”. Numa sala cada vez mais quente e onde o ar se tornava progressivamente difícil de respirar, os Malevolence demonstraram estar naquele patamar raro em que é simplesmente impossível ficar parado. Cada breakdown era recebido como um convite à destruição controlada e cada tema parecia aumentar ainda mais a intensidade do ambiente. No final, ficou a certeza de que a banda de Sheffield ocupa atualmente um lugar de destaque no topo da cadeia alimentar do género.

Antes disso, os Nasty já tinham lançado a primeira carga de violência sonora da noite. Com a sua habitual atitude provocatória e um Hardcore poderoso, pesado e carregado de groove, os belgas abanaram as fundações da sala lisboeta e arrancaram uma resposta imediata do público. A movimentação constante na plateia foi tal que, se houvesse pó no recinto, este teria sido lançado até à estratosfera.

A abrir a noite, os portugueses Fear of the Lord assumiram a responsabilidade de aquecer motores e cumpriram-na com distinção. O groove vindo da Margem Sul, aliado a uma atuação intensa e sem desperdícios, revelou uma banda cheia de atitude, devoção e fome de palco, determinada a aproveitar cada segundo perante uma audiência já numerosa.

No final, o rasto deixado pela passagem de Fear of the Lord, Nasty e Malevolence era visível por toda a sala. Nas marcas físicas, no suor, no cansaço e nos sorrisos de quem participou numa noite que celebrou o Hardcore e o Metalcore na sua forma mais crua, intensa e autêntica.

Nuno C. Lopes  

Melómano convicto, dedicado ás sonoridades mais pesadas. Fotógrafo, redactor, criativo. Acredita que a palavra é uma arma. Apesar de tudo, até é boa pessoa.


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