28 Ago 2026 a 30 Ago 2026

Lauryn Hill trouxe a casa toda e Vince Staples surpreendeu no segundo dia de Kalorama

Lauryn Hill trouxe a casa toda e Vince Staples surpreendeu no segundo dia de Kalorama

As vibes do segundo dia de Meo Kalorama foram imaculadas. Com Vince Staples inspirado e Lauryn Hill em grande forma, o público reagiu bem e apareceu em massa.

Quem tomou conta do arranque do segundo dia de festival foi Vince Staples. O rapper americano veio pela segunda vez a Portugal, e o que mais surpreendeu o público foi a sua atitude. Ao contrário da grande parte dos rappers, este não tenta parecer o mais perigoso da sala, nem tenta fazer cara de mau. Vince Staples adota uma postura minimalista, quase que de observação, e, embora a sua música seja boa, o que conquistou verdadeiramente o público, foi a sua personalidade, que cria toda uma imagem à sua volta.

O artista referiu que as músicas que escreve são sobre o lugar de onde vem, e aproveitou essa razão para ser interventivo e criticar o endeusamento que existe para com o seu país e o American dream, na música Only In America, do seu novo álbum, Cry Baby. A set-list do artista presenteou o seu público com versatilidade, sendo esta caracterizada por vários temas novos, mas também dando destaque aos antigos, que o fizeram crescer exponencialmente.

Ainda no palco MEO, Ravyn Lenae trouxe uma energia boa ao festival na grande maioria do seu concerto, porém, enfrentou um público mais difícil de conquistar, visto que o seu estilo se desviava um pouco daquilo quer vinha a seguir, Ms. Lauryn Hill. A cantora americana afirmou que atuar em Portugal estava na sua wishlist, e, como tal, trouxe-nos um concerto com uma produção bem pensada, com forte participação da cor rosa.

A artista ainda era, para muitos, um nome desconhecido, mas bastou a chegada do seu hit Love Me Not para o público perceber que afinal a conhecia. Durante este tema, já vimos um público mais efervescente e a cantar cada palavra. Ravyn Lenae foi alvo de um impulso estratosférico, em 2024, quando a música ficou viral no TikTok.

O aquecimento oficial para a cabeça de cartaz começou pelas 23:00 com música da casa: Sam The Kid, que reuniu uma multidão no palco Sagres, num concerto que ficou marcado, não só por ser uma reunião do rap português, mas também por ser uma substituição no cartaz, que, originalmente, tinha os Black Star.

Samuel Mira estava a cantar em casa. Chelas, o sítio e o berço de Sam The Kid, recebeu o rapper com pompa e circunstância. Acompanhado de Mundo Segundo, dos Dealema, de Orelha Negra e de uma orquestra digna dos mais refinados palcos mundiais, Sam mostrou – mais uma vez – o caminho que traçou e porque é um dos pais do rap português. Desde o primeiro ao último beat com Fred na bateria, das primeiras às últimas rimas pela voz de Sam, dos primeiros aos últimos scratches pela mão de Cruzfader, por entre todos os acordes na guitarra de Francisco Rebelo e tons melódicos saídos dos teclados de João Gomes, a noite fez-se de sucessos e viagens no tempo. Revisitamos Pratica(mente), Mechelas, Beats Vol.1: Amor, e ouvimos Poetas de Karaoke, À Procura da Perfeita Repetição, Não Percebes o Hip Hop, 16/12/95 e Gaia Chelas, com Mundo Segundo na retaguarda. Mas a setlist não ficou por aqui e todo o concerto contou com um som muito refinado, oriundo de toda uma orquestra, e dos Orelha Negra.

O concerto do Sam The Kid ultrapassou a dimensão musical e tornou-se uma verdadeira celebração às raízes do rapper, Chelas. Mal começou o concerto, o fenómeno português exclamou “Bem-vindos a casa!”, e procedeu a dar aos espectadores uma noite para relembrar.

Com um hype inacreditável, Ms. Lauryn Hill subiu ao palco MEO e arrasou a capital portuguesa. Embora o seu concerto tenha gerado muitas opiniões mistas, por causa dos medleys à volta dos seus grandes hits e pelo tempo de holofote que deu aos filhos no palco, a verdade irrefutável é que a qualidade musical lhe corre no sangue, e mantém uma voz idêntica àquela que ouvimos em estúdio, bem como uma presença que não deixa ninguém indiferente.

O concerto deste nome lendário da música pareceu, em certas alturas, uma festa de família. A artista convidou ao palco os filhos Zion e YG Marley, que, no meio de temas originais, prestaram homenagens ao avô, que também escreveu algumas músicas no seu dia. Vai pelo nome de Bob Marley.

No 30º aniversário do icónico The Score, celebraram-se também os Fugees. Os temas deste álbum foram os que mais marcaram a noite. Desde Fu-Gee-La, Killing Me Softly, No Woman, No Cry, Zealots até outros sucessos individuais de Lauryn Hill, Portugal fez-se ouvir e contribuiu para mais uma noite mágica de festival.

Vê todas as galerias do segundo dia de MEO Kalorama aqui!


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Mais sobre: Lauryn Hill, Mundo Segundo, Orelha Negra, Ravyn Lenae, Sam the Kid, Vince Staples, Yg Marley, Zion


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