Lamb terminam digressão europeia num Coliseu com fãs à antiga

Lamb terminam digressão europeia num Coliseu com fãs à antiga

A banda de Gabriel regressou a Portugal dez anos depois e o Coliseu deu largas às emoções e matou as saudades. O duo dos ingleses Andy Barlow e Lou Rhodes esteve no Porto e Lisboa, respetivamente a 13 e 14 de novembro para o encerramento de Twenty One, a digressão que celebra o seu primeiro e homónimo álbum, editado em 1996.

Detentores de uma já longa, porém irregular carreira, e com o último trabalho, Backspace Unwind, lançado em finais de 2014, não podemos dizer que Lamb seja a banda do momento. Se a isto juntarmos a calendarização do espectáculo para as 20h30 de uma terça feira lisboeta e ainda as múltiplas solicitações no que toca a manifestações culturais, particularmente na área da música, esperava-se uma receção algo morna e uma noite sem grandes surpresas.

Com a subida dos músicos ao palco cerca das 20h50 todos os preconceitos foram abandonados ficando claro que, naquela sala, naquela noite, assistiríamos a um grande concerto.

A sempre muito aplaudida Lou Rhodes tomou a seu cargo a condução do espetáculo relativamente à comunicação oral. Por ela soubemos que ouviríamos temas de Lamb, o primeiro álbum, nunca antes tocados ao vivo; contou-nos da alegria de estarem de volta a Portugal; partilhou memórias e recordou-nos que as canções contam histórias mas têm, elas próprias, história.

Andy Barlow foi o perfeito mestre-de-cerimónias incitando a participação do público, que, de resto, lhe correspondeu sempre prontamente. A resposta entusiástica do público a cada gesto do músico foi uma constante em todo o serão.

A banda mostrou continuar a saber casar na perfeição as harmonias produzidas pela interpretação melodiosa de Rhodes e as batidas típicas do drum ‘n’ bass de Barlow fazendo as delícias de um público que claramente os acompanha desde sempre.

Por entre as canções do álbum Lamb, a vocalista foi recordando a já velha história de amor com Portugal. Falou dos primeiros concertos, rendendo uma justa homenagem ao país já que durante muito tempo se considerou que a banda era conhecida unicamente no Reino Unido natal e em terras lusas. Houve lugar para expor as saudades e a alegria pelo desafio vencido de cantar ao vivo pela primeira vez algumas canções. A agora sobretudo dona de casa, mulher do campo e de família, mostrou que a vida é feita de altos e baixos, contando-nos que Zero, tema sobre a perda de um filho e que à data em que foi escrito era profundamente triste e difícil de cantar, é hoje uma “gentle sad song… – I hope you take it gently”.

E foi com gentileza mútua temperada com imensa garra e energia que o público da capital e os músicos fizeram uma noite de memorável reencontro. Um colectivo de músicos excelentes, apoiados por um interessante e muito adequado desenho de luzes e a magia do Coliseu dos Recreios fizeram o resto.

Depois do desfile dos 10 temas do primeiro trabalho, fomos levados numa viagem pelos restantes álbuns de estúdio com os temas Angelica (de Between Darkness and Wonder), What Sound (do álbum homónimo) Little Things e Ear Parcel de Fear of Fours a antecederam a apresentação de quatro temas de Backspace Unwind: We Fall in Love, As Satellites Go By, Backspace Unwind e Illumina.

A saída de palco foi acolhida com o descontentamento geral de quem esperara demasiado tempo para voltar a ouvir o projeto inglês, com toda a sala a pedir o regresso.

De volta para o encore trouxeram uma única canção. Qualquer fã de Lamb sabe que pedir mais seria estragar. E foi Gabriel, entoado como verdadeiro hino de união entre a banda e o seu público português a encerrar a noite com chave de ouro. Demasiado previsível? Talvez. Incontornável? Claramente!

 

Edição: Daniela Azevedo


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Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do “ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!

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