Jorge Palma e Orquestra Clássica do Centro no Coliseu dos Recreios – a reportagem

Jorge Palma e Orquestra Clássica do Centro no Coliseu dos Recreios - a reportagem

Palma festejou 45 anos de carreira perante um Coliseu praticamente cheio, passou por todos os clássicos e mostrou, mais uma vez, merecer todas as celebrações.

Não precisava da orquestra clássica nem do maestro conhecido da TV; arrisco até dizer que não precisava de banda. Bastava-nos ele ao piano e as suas canções, como o tivemos já muito perto do final, num dos melhores momentos da noite (Passeio dos Prodígios, Balada de um Estranho).

Mas celebram-se 45 anos de carreira e tal não acontece todos os dias. Que venha então a Orquestra Clássica do Centro e o maestro, que venha então a festa pomposa e estrondosa no Coliseu dos Recreios, na noite do feriado de 5 de Outubro. Frágil para começar e mostrar desde logo toda a potência extra que a orquestra traz e o equilíbrio total entre ela e a habitual banda de Palma (Pedro Vidal na guitarra, Nuno Lucas no baixo, João Correia na bateria e Vicente Palma nas teclas), com o piano e a voz a sobressaírem naturalmente.

Durou quase duas horas, a mostra de mestria de Jorge Palma. Não precisava daquilo tudo, mas se pode ter tudo aquilo, porque não? Porque não tocar uma porção do espectáculo só com a orquestra e realçar belíssimas melodias (, O meu amor existe)? Porque não dar espaço a Rui Massena para criar arranjos deliciosos dentro de canções que pensávamos não poderem crescer mais (Estrela do Mar, À Espera do Fim, Jeremias, O Fora da Lei). Porque não voltar a chamar a banda e calar a orquestra para repescar velhas jóias em forma de canção (Dormia Tão Sossegada, Eternamente Tu) e depois puxar a ovação merecidíssima com um clássico (Cara de Anjo Mau)? Se ele pode, porque não trocar de lugar com o meastro só por um bocadinho, porque não dividir depois o piano com ele num surpreendente solo a quatro mãos?

A carreira que Jorge Palma festejou nos Coliseus de Lisboa e Porto começou 21 anos antes de eu ter nascido. Nunca vos poderei dizer que a acompanhei de perto ou que a conheço de ginjeira. O que vos posso dizer é que nunca ninguém me o teve de apresentar, é como se já fizesse parte. Não precisa de apresentações, de pedir ao público para cantar, apelar a palmas ou luzinhas de telemóvel. Tudo isso surge naturalmente. Porque ele merece, pois claro.

 

Edição: Daniela Azevedo


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Mais sobre: Jorge Palma, Orquestra Clássica do Centro, Rui Massena

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Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gosta de cogumelos.

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