Jay-Jay Johanson de volta à cidade – a reportagem no Tivoli

Jay-Jay Johanson de volta à cidade - a reportagem no Tivoli

Na noite em que completava 48 anos de vida, Jay-Jay Johanson trouxe o Whiskey e veio celebrar com os lisboetas.

A 11 de outubro as portas do Tivoli BBVA abriram-se para a dupla comemoração do aniversário do músico sueco e dos 20 anos do seu primeiro e decisivo álbum.

Lançado em 1996, Whiskey define desde logo o trabalho de Johanson, baseado no trip hop – estilo em que o jazz e as batidas urbanas próprias do rap se harmonizam numa forma renovada de fazer música, claramente influenciada pelos ingleses Portishead.

Longe de ter lotação esgotada, na segunda noite da mini-tournée portuguesa, a sala da capital encheu-se de luz, alegria e entusiamo. O reencontro sempre desejado pelo cantor e seu público trazia generosas rodadas do festejado Whiskey, agora editado em vinil, mas também temas extraídos da maioria dos álbuns de Jay-Jay.

Esta espécie de best of, com passagem marcada por Faro, Lisboa, Leiria, Guarda e Braga incluiu temas de Bury the Hatchet, lançado já em 2017, e mostra a excelente forma musical de Johanson quer ao nível da inspiração, quer da interpretação. Os 20 + 3 temas que dão corpo ao espetáculo foram partilhados por músicos e público num ambiente intimista e confortável próprio dos regressos a casa.

A iluminação suave da sala, mantida acesa em boa parte dos temas, contribuiu para um encontro que dispensou todos os formalismos, com Jay-Jay a entrar em palco de sorriso aberto, saudando os fãs com um sonoro e imensamente bem-disposto “good evening”. O bom humor, presente em todo o concerto, vestiu-se também de sobriedade, pondo em destaque o lirismo tocante de muitos dos temas trazidos.

Tivemos em palco um autor e intérprete bem seguro de si, da sua música e dos seus músicos. Frequentementem o músico deixa a ribalta à excelente parceria de teclista e baterista, duplamente cúmplices: entre si e com Johanson. E dessa cumplicidade nasce um belíssimo final do espetáculo, com Jay-Jay a sentar-se também atrás de um dos teclados e os três homens a brindarem a capital com Rocks in Pockets do álbum The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known.

No que toca a cenografia, ao agradável desenho de luzes alia-se a projeção de imagens / excertos de filmes, a sublinhar ou acrescentar poemas e música. O predomínio dos tons negros e cinzentos vinca a melancolia de temas como She’s Mine but I’m Not Hers, Skeletal ou Whispering Words – este último cantado a capella já no encore – deixando porém espaço para a festa convocada por canções como o inevitável So Tell The Girls That I Am Back In Town.

Do lamentavelmente pouco público presente – Jay-Jay e o concerto mereciam mais, muito mais! – há que referir que esteve de corpo e alma.

Num serão de intensa comunhão de música, aplausos e emoções até a pequena falha de não serem dados os parabéns ao já velho amigo na sala de concertos foi redimida. O Happy Birthday cantado em coro já no hall do Tivoli ficará certamente na memória do músico, tal como o concerto ficará guardado em todos os que a ele assistiram.

 

Edição de Daniela Azevedo


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Mais sobre: Jay-Jay Johanson

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Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do “ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!

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