Festival Mental celebra 10 anos: Uma década a usar a Cultura como “radar” da Saúde Mental em Portugal

Festival Mental celebra 10 anos: Uma década a usar a Cultura como “radar” da Saúde Mental em Portugal

De 14 a 17 de maio, a 10ª edição do Festival Mental invade o Cinema São Jorge, a Quinta das Conchas e as ruas de Lisboa com cinema, teatro, música e uma parada circense inédita.

O Festival Mental – Cinema, Artes e Informação assinala em 2026 uma década de existência consolidando-se como o projeto pioneiro em Portugal na promoção da saúde mental, combate ao estigma e contribuição para a literacia nesta área, através da cultura. Ao longo de dez anos, construiu um percurso consistente, acompanhando a evolução do discurso público sobre saúde mental e antecipando temas que hoje são centrais no debate contemporâneo.

Entre 14 e 17 de maio, o festival assume-se como um verdadeiro “radar”, revisitando os temas marcantes dos últimos dez anos enquanto projeta os desafios do futuro, e reflete sobre o impacto profundo das suas edições anteriores.

A grande novidade desta edição comemorativa reside na abertura do festival à cidade, logo no dia 12 de maio, às 12h30. Pela primeira vez, o Festival Mental ocupa as ruas da capital e leva a arte e a saúde mental diretamente ao seu encontro com o Desfile de Rua (M-Play). Artistas do Chapitô – entre acrobatas, malabaristas e monociclistas em andas – atravessarão Lisboa para transformar a rotina citadina num palco vivo. Esta parada celebra o equilíbrio e a força coletiva, promovendo um diálogo silencioso e humano entre quem cria e quem observa, que convida quem passa a suspender o passo e a tornar visível o invisível, lembrando que ninguém caminha sozinho.

A programação de 2026 destaca-se pela sua abrangência intergeracional, estendendo-se dos 8 aos 80 anos. A relação entre saúde mental, bem-estar e natureza é explorada no segmento M-Natura, que propõe uma abordagem integrada da saúde mental, valorizando o corpo, o território e a ligação ao meio envolvente, promovendo práticas de cuidado, escuta e reconexão através da cultura em diálogo com a natureza. No dia 15 de maio, às 14h30m e 16h30m, na Quinta das Conchas, realiza-se o workshop infantil Floresta: Ecossistema e Habitat, com conceção e orientação de Conceição Colaço, Maria João Vieira e Tiago Reis. Esta atividade consiste numa série de jogos lúdico-pedagógicos para estimular a descoberta e o trabalho em equipa, valorizando a ligação sensorial ao território para a promoção da literacia florestal.

Este foco na natureza (M-Natura) engloba o documentário Malcata – Conto de Uma Serra Solitária, de Miguel Cortes Costa e Ricardo Guerreiro, que será exibido no dia 17 de maio, às 14h30m, no Cinema São Jorge, seguido de Sessão Q&A. Este documentário desvenda as camadas de tempo inscritas na Serra da Malcata, território de fronteira moldado pela força da terra, pela vida selvagem e pela resistência das comunidades que resistem à solidão.

O teatro e a intervenção social mantêm-se como pilares fundamentais, com a peça Contrabandistas de Comemorações (esquecidas?), inserida no M-Play Jovem, que sobe ao palco do Cinema São Jorge no dia 16 de maio às 16h30m. O espetáculo é apresentado pelo Grupo de Teatro Terapêutico W+, da Unidade de Saúde W+ da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com texto e encenação de Sónia Santos, Catarina Luz e João Ferreira.

No último dia do festival, 17 de maio pelas 10h30m no Cinema São Jorge, a atenção vira-se para a população sénior com o workshop Idade Não É Prazo de Validade, do segmento M-Senior. Orientado por Mafalda Sacchetti, dedica-se a combater o sentimento de solidão e a invisibilidade emocional da terceira idade, abordando de frente temas como a ansiedade e a depressão, causadas principalmente pela maior noção de finitude e perda de faculdades físicas, motoras e mentais, bem como a perda de saúde nesses mesmos três pontos

Para além destas atividades, o festival mantém a sua estrutura de referência iniciando com um Warm Up no atmosfera m composto por filmes vencedores de edições anteriores. A programação inclui ainda o M-Cinema (Mostra Internacional de Curtas-Metragens), que oferece uma seleção criteriosa de curtas-metragens internacionais, e as M-Talks, que reúnem convidados para analisar as mudanças no setor desde a primeira edição. A programação completa-se com o M-Click, dedicado a ideias inovadoras que cruzam ciência e criatividade, e o My Story, My Song, onde a música serve de veículo para a partilha autêntica de vulnerabilidades.

O Festival Mental – Cinema, Artes e Informação privilegia o rigor. A coprodução com a Coordenação Nacional das Políticas para a Saúde Mental assegura uma validação científica que nos confere uma credibilidade distintiva e afasta de abordagens genéricas ou passageiras. É esta colaboração estratégica, amadurecida ao longo de uma década, que garante um espaço de intervenção seguro e tecnicamente sólido, com o peso institucional e a responsabilidade que um tema tão sensível exige.

Ao consolidar-se como um projeto de referência, o Festival Mental reafirma a urgência de falar com conhecimento, responsabilidade e profundidade sobre a saúde mental no Portugal de hoje.

Fonte: Press Release


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