Festa infinita com Arcade Fire no Campo Pequeno

Festa infinita com Arcade Fire no Campo Pequeno

A banda canadiana regressou esta segunda-feira a Portugal para o seu primeiro concerto em nome próprio no nosso país e foi dona de uma das noites mais inesquecíveis do ano.

O entusiasmo (tanto de público como de crítica) para com Everything Now, o último disco, pode não ter sido muito, mas a verdade é que o estatuto dos Arcade Fire como uma das maiores bandas daquilo a que em tempos chamámos de indie rock não esmoreceu, tanto que o Campo Pequeno se encontrava esgotado para receber o espectáculo Infinite Content. Com um palco em forma de ringue de boxe, colocado no centro da sala, e um aparato visual notável, o formato permitiu à banda contacto permanente com o público e, por sua vez, permitiu ao público uma proximidade com os músicos que é rara nos dias que correm.

Que sorte termos esta sala perfeitamente redonda, apesar da qualidade do som que deixa sempre a desejar (pode não ter estragado o concerto, mas houve momentos em que fez mossa) e apesar do seu propósito menos unânime (Win Butler a certa altura fez questão de frisar que acha o uso musical do espaço muito mais apropriado), o Campo Pequeno provou ser o local prefeito para receber estes Arcade Fire em estado de graça.

Da entrada do grupo estilo combate de boxe, percorrendo o público até subir ao ringue, aos primeiros acordes de Everything Now, o ambiente quente que ocupava a sala naquela noite bem amena provocou a explosão esperada. A partir daí, foi impossível parar ou sequer abrandar a festa que se seguiu. Rebellion (Lies), Here Comes The Night Time, Haiti e No Cars Go mantiveram o êxtase em níveis máximos tanto em palco (Will Butler subiu a uma estrutura enquanto batia freneticamente num tambor; Régine Chassagne, Richard Reed Parry, Tim Kingsbury e Jeremy Gara pulavam e dançavam entre trocas de instrumentos e subidas à plataforma rotativa) como na plateia que o rodeava.

A comunhão foi comovente desde o início, mesmo que os temas do último disco não tenham provocado as mesmas reacções que temas mais clássicos, as emoções que a pop orquestrada – poucas vezes introspectiva, mais frequentemente intensa e explosiva – provoca no público, ecoam por todos os cantos da arena. Há coros espontâneos de melodias e refrões cantados de braço erguido e coração na garganta. Exemplo máximo dessa catarse colectiva que a música dos canadianos evoca será sempre o hino-canção Wake Up, que fechou a noite em apoteose, já num encore onde a Preservation Hall Jazz Band (banda de abertura do espectáculo), voltou a subir ao palco para depois acompanhar os próprios Arcade Fire no percurso de saída outra vez pelo público, acabando numa improvisada versão de Rebel Rebel, do eterno Bowie, que se seguiu até às portas do Campo Pequeno. Como se os músicos também não quisessem que aquela noite acabasse.

Podem ter desapontado com o álbum mas a verdade é que ao vivo continuam a superar todas as expectativas e afirmam-se como uma das melhores bandas ao vivo hoje em dia. Dia 18 de agosto há mais, em Paredes de Coura.

 

Texto: Teresa Colaço
Edição: Daniela Azevedo
Fotos: João Pedro Padinha / Sony Music Portugal

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gosta de cogumelos.


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