O espetáculo de variedades dos Tuxedomoon – Reportagem no Tivoli

O espetáculo de variedades dos Tuxedomoon – Reportagem no Tivoli

Os Tuxedomoon são um dos nomes musicais de referência da cena alternativa do final dos anos 70 e o seu regresso a Lisboa relembrou-nos da razão disso mesmo.

A passada noite de 6 de Junho foi um inevitável regresso à infame década de 80. No âmbito da digressão Half Mute, exclusiva ao velho continente que sempre os soube acolher, Lisboa voltou a receber a banda de Reininger, Principle, Brown e Van Lieshout para um revival do clássico e aclamado álbum ‘Half Mute/Scream with a View’, disco que catapultou os Tuxedomoon e afirmou a sua relevância musical.

Se há atividade que continua a ser interessante para quem ouve Tuxedomoon é enumerar a quantidade de referências que conseguem aplicar nas suas músicas e a facilidade com que o fazem. Saltam das melodias eruditas para as sonoridades eletrónicas, trazem-nos instrumentos clássicos e dão-lhes um je ne sais quoi oriental aplicando, se necessário, uma sonoridade circense em simultâneo. Passamos, quase sem nos apercebermos, de uma melancolia extrema para batidas enérgicas que fazem a pessoa mais inerte numa sala de espetáculos mostrar algum sentido de ritmo.

Justifica-se assim que entrem na categoria post punk, new wave ou experimental, e foi exatamente isso que trouxeram ao Tivoli.

Iniciando com “Nazca” os Tuxedomoon seguiram fielmente a track list do álbum ‘Half Mute’, lançado há 36 anos, até à música “KM/Seeding the Clouds”. Posto isso seguiu-se uma (curta) viagem alguns dos seus diversos álbuns o que claro, significa uma viagem de tempo. Fomos de 1978 com “East/Jinx”, fizemos uma rápida pausa em 1988 para relembrar “This Beast” e saltámos até 2007 com “Muchos colores”.

Para o encore guardaram “Baron Brown” e fecharam o concerto com “Some Guys”. Se Steven Brown continuasse a perguntar “Uno mas?”, a plateia continuaria a perdoar-lhe o espanhol e a dizer sempre que sim.

Bruce Geduldig, cineasta e músico que foi também parte integrante dos Tuxedomoon, falecido em Março deste ano, não deixou de ser relembrado pelos seus colegas. Coube a David Haneke assumir o papel de responsável pela cinematografia e efeitos visuais dos concertos da Half Mute Tour.

Após cerca de hora e meia de concerto e com direito a ovação de pé, comprovámos a genialidade dos Tuxedomoon e sim, continuam a trazer um espetáculo de variedades por onde quer que passem.

Mónica Borges  

Acho todos os cães bonitos, gosto de festivais e ainda mais de imperiais.


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