Entrevista a Lour: “Continuo muito agradecido ao rapaz de 18 anos que achava que nada era impossível”

Estivemos à conversa com Lour, artista português, de 24 anos, que lançou ‘abelha’ – o seu mais recente single, após os lançamentos de ‘outro lado’ e ‘de novo’, em 2025. A produção, a cargo de miguele e Lour, teve a colaboração de Ricardo Mosca – um premiado produtor brasileiro. Podemos contar com os seus próximos lançamentos sob a editora Warner Music Portugal, afirmando-se como uma das novas vozes da música portuguesa.
Estreaste o teu projeto em 2018, com o single “Honey”, que fez parte da compilação dos Novos Talentos Fnac desse mesmo ano. Este álbum conta com vários artistas e bandas portuguesas, incluindo Maro e Baleia Baleia Baleia. Há algum nome português, ou internacional, com quem o Lour de 2018 e de 2026 sonham em colaborar?
Sim, muitos! Nunca colaborei com ninguém numa canção, por isso tenho muita vontade de fazê-lo. Eu acho que talvez seja uma resposta muito previsível para quem me conhece, mas seria um sonho ter uma canção com as Anavitória. Acho que desde que comecei a compor em português ‘bebi’ de muitas referências delas, a forma de escrever canções simples e bonitas. Acredito que um dia possa acontecer, vou manifestando hehe.

Em 2019, lançaste o teu primeiro EP “Change”, que levou o teu nome à Blitz, Antena 3, e a artistas de renome, Benjamim e Carolina Deslandes. É um debut autêntico, sincero e um verdadeiro espelho das tuas emoções. Olhando pelas lentes do presente, com 24 anos, sentes que mudaste muito como pessoa, e como Lour?
Já não ouço esse EP faz algum tempo mas sinto sempre um carinho especial e orgulho por ter começado a lançar canções tão novo mesmo na altura sem pensar em nada de ‘carreira’ ou estratégia. Quero acreditar que mudei e cresci bastante como pessoa, acho que seria inevitável. Como artista também amadureci bastante, ganhei novas referências, mudei o idioma das canções (coisa que na altura acharia impossível), encontrei outros sons e cores. Mas sempre muito agradecido a esse menino de 18 anos que achava que nada era impossível e se enfrentava a si mesmo, mesmo com medo.
Voltaste às plataformas com dois novos singles em 2025, “de novo” e “outro lado”, onde cantas na tua língua materna sobre amores platónicos, inspirados em [Pedro] Almodóvar. Ambos marcam uma nova era, mas a mesma paixão pela arte. Quais são os teus quatro filmes favoritos [Letterboxd Four], e qual o filme que mais associas à nova era de Lour?
Aiii que complicado, tenho muita dificuldade em ordenar os meus gostos e escolhas confesso. O meu filme favorito desde que o vi pela primeira vez é o Coraline, é provavelmente o filme que mais vezes vi na vida. Depois diria o Todo Sobre Mi Madre, foi a partir daí que entrei no lore do Almodóvar e fiquei apaixonado pelas cores e realização e histórias dele. Acho que também escolheria o La La Land porque apesar de maybe ser cliché é um filme que amo sempre ver e tem uma banda sonora incrível, e por último não é um filme mas sim um documentário chamado ‘Amaia, Una Vuelta Al Sol’ que é sobre uma artista espanhola que amo chamada Amaia e a produção do seu primeiro disco ‘Pero No Para Nada’ que é um dos meus favoritos da vida. Sobre o filme, não sei bem qual associaria a esta nova era do meu projeto, mas provavelmente a resposta mais fiel seria a curta-metragem do Almodóvar ‘La Voz Humana’ que foi o que inspirou a ‘outro lado’ e é sempre um gosto visual ver um filme dele.

És um dos mais recentes artistas assinados pela editora Warner Music Portugal, e tiveste a oportunidade de colaborar com Ricardo Mosca – vencedor de três Latin Grammys, e aclamado pelo seu trabalho com Anavitória. Como é essa sensação de transição para uma label, e teres na mistura do single “de novo”, alguém que trabalhou com o duo brasileiro, muito querido à tua pessoa?
Entrar para a Warner foi um sonho de criança porque sempre quis trabalhar com uma equipa e sentir que havia mais pessoas que confiavam nas minhas canções e projeto. Aconteceu tudo muito rapidamente, eu já tinha algumas maquetes fechadas de canções e enviei para o meu A&R atual, o André (Beiro), e ele passado uns dias ligou-me a dizer que toda a equipa tinha gostado muito e de repente já estava a assinar o contrato hehe. Trabalhar com o Ricardo foi também daqueles momentos que marcaram muito esta nova fase, porque tentei a minha sorte ao enviar-lhe uma mensagem pelo Instagram a dizer que tinha umas canções que gostava que fosse ele a misturar, mas achava que não ia ter resposta ou que seria impossível de acontecer e foi totalmente o contrário, tive uma reunião com ele e com o ‘miguele’ com quem produzi as canções e desde o primeiro momento o Ricardo foi sempre mega cuidadoso com o meu projeto e elevou totalmente o universo das canções com a sua mistura. Foi um encontro muito bonito e que me deixa muito feliz.
Este ano, lançaste “abelha”, um single que escreveste sobre a tua irmã e sobre a relação familiar entre os dois, com nostalgia e muito amor. Parece ser a música mais pessoal do teu cardápio, sendo que tens a tua irmã muito próxima nos teus projetos. O título do single – uma metáfora para a relação entre irmãos e a nostalgia da infância – vem 8 anos depois de “Honey”. Associam esta nova música às memórias de ver a “Abelha Maia” na RTP?

Hahahah não sendo sobre essa memória em especifico eu e a minha irmã quando éramos pequenos sempre vimos muitos desenhos animados juntos no sofá como as Três Irmãzinhas, os Teletubbies, Sítio do Picapau Amarelo e na verdade a Abelha Maia também! E wow 8 anos já da Honey, já passou um tempo.
Por fim, e talvez a questão mais aguardada desta conversa, o que é que podemos esperar de Lour, em 2026?
Este ano quero lançar mais música, chegar a mais pessoas e tenho muitas saudades de voltar a tocar ao vivo, quero muito que aconteça brevemente!
A discografia de Lour está disponível em todas as plataformas digitais, e já podem assistir ao videoclipe de ‘abelha’ no YouTube.

