Entre Aliens e Angels: Angine de Poitrine e Robbie Williams desenharam o primeiro dia de Kalorama

O primeiro dia de MEO Kalorama não desiludiu e apresentou um recinto muito bem composto, no passado dia 28 de agosto. No meio da multidão, o que mais se viu foram polka dots e um público animado para um dos festivais mais esperados do ano.
Os Angine de Poitrine deram o pontapé de saída do primeiro dia de festival e trouxeram o seu Rock microtonal, com raízes no Dadaísmo e no Cubismo, a um público que estava ansioso para os ouvir na sua primeira vez em Portugal.
A sua entrada no palco principal do 5.º Kalorama não teve nada que saber: foi chegar, ligar as dezenas de pedais do guitarrista e baixista Khn de Poitrine, enquanto o baterista Klek de Poitrine esperava e ia animando o público. O duo do Quebec entrou a matar com Angor e mostrou o porquê de serem um fenómeno em todo o lado.
O concerto ficou marcado por ser disruptivo e completamente afastado daquilo que é “normal” ver num festival hoje em dia. Ainda assim, a banda arrastou uma multidão para o festival e entregou toda a energia frenética que prometeu.
Ainda no palco MEO, pelas 21:00, os festivaleiros reuniram-se para o sussurro que já bem conhecemos da MARO. A artista lançou este ano o seu novo álbum SO MUCH HAS CHANGED e encontra-se, de momento, em digressão, tendo a sua próxima paragem no próximo mês, em Boston.
Curiosamente, exatamente há um ano, MARO esteve na MEO Arena, ao abrir o concerto de Shawn Mendes.
Embora a artista tenha dado grande destaque ao seu novo álbum e interpretado vários temas do mesmo, como I OWE IT TO YOU, KISS ME e IT AIN’T OVER, entre outros, MARO construiu um concerto que atravessou diferentes momentos do seu percurso, entre a intimidade e a emoção que caracterizam as suas atuações. Sempre sorridente e próxima do público, a artista deixou em palco espaço para diferentes sentimentos, entre eles a saudade, numa noite marcada pela partilha e pela cumplicidade.
Já no palco Sagres, com a noite oficialmente instalada, a Judeline agarrou o público e ofereceu uma energia totalmente diferente ao festival. A artista é uma das principais promessas da música espanhola e quebrou totalmente o ambiente de intimidade criado pela MARO uma hora antes.
Embora a artista passe uma imagem com imensa atitude e carisma, o seu concerto também presenteou o público com momentos de fragilidade e calma diante de uma lua cheia, que até apareceu nos ecrãs do palco durante o concerto.
De Nova Iorque, chegaram os Interpol para um concerto que ficou marcado, não só pelos visuais bem conseguidos da banda, mas também por ser o concerto no dia de lançamento do seu novo álbum This Mirror Weighs a Ton. Os americanos tocaram várias músicas do novo trabalho, que, para muitos, é o regresso da banda à sua melhor versão, porém, foram as canções mais antigas que levaram o público ao delírio.
O concerto começou com a faixa que dá nome ao novo álbum, e contou, ainda, com hinos como Obstacle 1, Evil e See Out Loud.
Com a sua postura imóvel e de sobriedade mórbida, Paul Banks, vocalista dos Interpol, pouco ou quase nada interagiu com o público. Embora os clássicos tenham reconfortado o público, este aspecto deixou os festivaleiros a desejar mais.
Aos 78 anos, ou seja, na flor da idade, Grace Jones deu mais de 78 motivos pelos quais ainda é um ícone absoluto. A cantora jamaicana deu um dos concertos da noite, deliciando a audiência com hinos da sua autoria, tais como Pull Up to the Bumper e Slave to the Rythm, que fechou o concerto.
A última vez da artista em Portugal foi no NOS Alive, 7 anos atrás, e a verdadeira conclusão que se tirou do concerto no Kalorama é que a cantora sabe dar um show e animar milhares de pessoas, mas não sabe envelhecer.
O verdadeiro clímax do primeiro dia de festival foi mesmo o assalto do Britpop à capital portuguesa. Robbie Williams, que revelou estar adoentado, tratou o público por “tu” e mostrou, mais uma vez, que não há entertainer como ele.
Com uma grande produção por detrás, o cantor apresentou-se com o famoso tracksuit vermelho e deu início ao espetáculo com Let Me Entertain You, e Rock DJ, que aqueceram (e muito bem) os festivaleiros, que tiveram direito a trocas de outfit, fogo de artifício e uma homenagem especial, durante a Angels a Dolly Parton, que partiu dias antes do festival começar.
Muitos artistas usam produções maiores que a vida para disfarçar incompetência a nível musical, Robbie Williams não se inclui nesse pote. O cantor mostra-se musicalmente refinado e fez um medley que arrancou sorrisos e aplausos a toda a gente. De Queen a Depeche Mode, o britânico levou o público do Kalorama numa viagem geracional da música, interpretando alguns dos temas mais históricos das últimas décadas.

