Edmundo Inácio Lança novo álbum “Vida de Cão”

Edição em vinil chega a 10 de abril, data do arranque da “Tour pelos Clubes Cá da Terra”
Edmundo Inácio lança hoje, em formato digital, o seu segundo álbum de originais, “Vida de Cão”. A edição em vinil ficará disponível a 10 de abril, coincidindo com a estreia ao vivo do novo disco na primeira data da “Tour pelos Clubes Cá da Terra”, na Casa Capitão, em Lisboa.
Construído a partir de um alinhamento que alterna canções narrativas, interlúdios cénicos e refrões de forte pendor popular, “Vida de Cão” apresenta-se como o trabalho mais coeso e conceptual do artista até à data. Um disco que conta histórias de precariedade, exaustão laboral, migração interna, pressões sociais e resistência através do amor, da família e da fé.
Edmundo Inácio compôs todas as músicas do álbum, fez a pré-produção, e produção de todos os temas e, na produção musical contou também com Quim Albergaria e Ivo Costa. Além da parte musical, Edmundo deu igualmente o mote criativo para todos os vídeos que acompanham “Vida de Cão“, tendo contado com a participação de Peculiar e David Sobral em “Relento“, com Joana César e Jorge Correia em “Terra” e com David Sobral no restante universo de “Vida de Cão“.
O disco abre com “Boa Viagem! (Prelúdio)”, anunciado como a entrada de um comboio “procedente de Portimão” no “segundo álbum do Edmundo Inácio”. A temática da deslocação — geográfica, social e emocional — atravessa todo o álbum, como se pode ouvir no já conhecido single “Terra”. Na canção, o narrador deixa o Sul para procurar oportunidades na cidade, assumindo o desenraizamento como preço do sonho: “Eu fui arrancado das raízes lá da terra / Pois o meu sonho não tem espaço lá no lar.”
A canção que dá título ao álbum, “Vida de Cão”, transforma o quotidiano num “corridinho louco” onde se trabalha muito para receber pouco. Edmundo Inácio alterna entre o humor mordaz e a crítica social direta (“Somos só peões / Nesta dança cega por meros tostões”), revelando um disco atento à ansiedade coletiva e à normalização do cansaço como estado permanente. Essa crítica prolonga-se em “Sofá”, um apelo frontal contra a apatia e o consumo passivo (“O ‘scroll’ eterno leva-te ao inferno”), onde a inércia é apresentada como forma de autoanulação.
Já “Se os violinos falassem” é um dos momentos mais confessionais do disco, expondo uma dinâmica de silêncios herdados e emoções reprimidas: “Quando digo que estou bem, eu não estou.” A mentira protetora é reconhecida como padrão geracional, como se pode ouvir no verso desarmante “Ó pai, eu sou igual a ti”.
O olhar perspicaz sobre a sociedade regressa em “Marcelina”, que apresenta uma mulher migrante que deixou “a velha vida carregada de tristeza” e trabalha invisivelmente “no salão ou na cozinha”.
Já no single “Relento”, que conta com a colaboração de Peculiar, a invisibilidade laboral regressa sob a forma de um trabalhador noturno que “limpa as ruas onde cais”. No refrão, onde Edmundo canta “Ando ao relento, para chegar, chegar a tempo, tempo de te acordar”, capta-se a essência de uma busca urgente e despojada. “Relento” é um retrato dessa persistência, mantendo a singular mistura de tradição e modernidade do artista, agora enriquecida pela visão sonora de Peculiar.
O primeiro tema revelado do novo álbum, “Com Quem Será?”, aborda a pressão normativa sobre identidade e orientação, desmontando expectativas sociais e propondo uma reconfiguração de género (“Marias podem ser Andrés!”).
“A Carta” encerra o disco com uma narrativa de precariedade económica e amor adiado, onde uma notificação formal (“A carta chegou”) desmantela um projeto de vida. Edmundo Inácio aborda assim um dos temas mais importantes da atualidade, a crise habitacional e como esta condiciona a vida, e as escolhas, dos jovens.
“Vida de Cão” reafirma a marca identitária de Edmundo Inácio: uma base enraizada na tradição musical portuguesa, aliada a uma abordagem pop contemporânea, com produção atual e uma forte componente rítmica. O resultado é um disco onde a modernidade pop e o património cultural português dialogam sem restrições.
A edição em disco de vinil de “Vida de Cão”, a 10 de abril, coincide com o arranque da “Tour pelos Clubes Cá da Terra”, uma digressão intimista que levará o artista a cinco salas emblemáticas:
- 10 de abril de 2026 – Casa Capitão, Lisboa
- 17 de abril de 2026 – Maus Hábitos, Porto
- 18 de abril de 2026 – Texas Club, Leiria
- 25 de abril de 2026 – Lustre, Braga
- 9 de maio de 2026 – Bang Club, Torres Vedras
Os bilhetes já estão à venda.
Com “Vida de Cão”, Edmundo Inácio apresenta um retrato geracional direto e humano — um disco sobre trabalhar, resistir, amar e continuar — mesmo quando a vida aperta.
Fonte: Press Release

