Dia 2 do NOS Alive: com maré cheia em Algés para Foo Fighters e Zara Larsson, há sempre espaço para Skunk Anansie

De ânimos altos, fãs de todo o mundo reuniram-se para a destruição total de Foo Fighters no Palco NOS e para o pop contagiante de Zara Larsson no Palco Heineken – numa espécie de Barbenheimer da música. Mas, antes, tiveram de experienciar o poder magnético de Skunk Anansie e o charme inigualável de Wolf Alice.
O primeiro dia esgotado da 18ª edição do NOS Alive contou também com atuações de The Warning, Palaye Royale, Jehnny Beth e War on Drugs. E foi com a banda natural de Oeiras e vencedora do Oeiras Band Sessions, Call Me, que o Palco Heineken começou a aquecer, prometendo mais música de intervenção e energia feminina – há algo mais punk que isso?
Os Skunk Anansie, no Palco NOS, fizeram-se ouvir como quem já conhece bem o público português, sendo uma banda querida em Portugal há mais de 30 anos. Regressaram com a mesma energia dos anos 90, e, aos 58 anos, Skin comandou o quarteto para uma lição de rock invejável. A presença avassaladora da vocalista britânica, relembrou a razão pela qual o rock, na sua génese política, continua a ser necessário. Num comentário social, as canções sobre racismo e discriminação foram um manifesto de inclusão e apelo à humanidade – com a mais recente ‘An Artist is An Artist’ e as famosas ‘Hedonism (Just Because You Feel Good)’ e ‘Weak’, ‘Little Baby Swastikkka’ encerrou a noite com uma ovação prolongada, muito suor e dificuldade em recuperar o fôlego, do que foi um concerto estrondoso.
No palco secundário, seguiu-se a imparável Jehnny Beth. A artista francesa reconhecida como a grande força das Savages, trouxe ao Palco Heineken o seu projeto a solo: uma performance claustrofóbica, teatral e agressivamente poderosa. Quem entrou na tenda à procura de refúgio do som do Palco NOS, e procurava guardar lugar para a Zara Larsson, encontrou, em vez disso, um palco sísmico. Vestida a rigor, na sua linha minimalista mas nada menos que grunge, Beth surgiu em palco com a atitude de sempre: pronta para partir tudo num par de saltos altos rosa-choque. Mesmo com o público das primeiras filas menos preparado para a força do pós-punk, a artista convenceu rapidamente os mais novos a expressarem o seu elo mais obscuro e a moverem-se com ela, entre moshpits e raves em palco. E se a cantiga é uma arma, bem, Jehnny Beth é a própria luta. Cantou na íntegra o mais recente disco ‘You Heartbreaker, You’ (2025), quebrando totalmente a barreira entre o palco e o público logo na segunda música ‘High Resolution Sadness’ – tornando o concerto num dos pontos altos do segundo dia do festival.
Voltando ao Palco NOS, os imperdíveis, porém, desajustados Wolf Alice regressaram ao Passeio Marítimo de Algés, numa edição do NOS Alive pronta para Foo Fighters. Mas independentemente disso, o público foi presenteado pela hipnótica Ellie Rowsell, com a sua presença tipicamente voraz e igualmente tímida. O segredo dos Wolf Alice ao vivo é a sua capacidade de transitar de um sonho gótico angelical para a realidade transtornante de um coração partido, este ano não foi diferente. Foi logo com ‘Bloom Baby Bloom’ que a banda britânica conseguiu agarrar a atenção do público, e a partir daí, não houve nada que os pudesse parar. ‘How Can I Make It Ok?’, ‘The Sofa’ e ‘Bros’ moveram Algés a lágrimas antes de permitirem o descalabro com o duo de ‘Yuk Foo’ e ‘Play The Greatest Hits’. O poder de um megafone e de uma mulher carismática. Num concerto mais adequado ao Palco Heineken neste dia, o NOS Alive testemunhou ainda o viral hino romântico ‘Don’t Delete The Kisses’, a despedida perfeita para um esperado regresso rápido.
O palco principal encerrou com os míticos Foo Fighters. O tão aguardado retorno da banda de Dave Grohl levou perto de 60 mil pessoas ao solo do NOS Alive, para um espetáculo de quase 3 horas com as grandes músicas que marcam a sua carreira e terminaram a digressão europeia da ‘Take Cover Tour’. Os fãs, de todas as idades, ergueram o punho ao som do primeiro acorde de ‘All My Life’ e assim permaneceram até ao fim da noite, passando por ‘My Hero’ e ‘Walk’ até às baladas surpreendentes, onde houve lágrimas visíveis até nos homens mais velhos – sem dúvida que tocou a toda a gente presente a dedicação de ‘Aurora’ a Taylor Hawkins, o eterno baterista de Foo Fighters que faleceu em março de 2022. ‘Best of You’, ‘Exhausted’ e ‘Everlong’ culminaram numa ronda de aplausos, e confirmando o que, talvez, não fosse tão agradável: incapazes de darem uma má performance, o peso da digressão e o cansaço do Festival Madcool em Madrid eram notáveis, a par da irregularidade do som que em nada favoreceu a banda a longo prazo. Mas uma coisa é certa, a vontade de acolher Foo Fighters novamente é grande, nem que seja por apego emocional.
Para o público mais jovem, a sueca Zara Larsson reinou um Palco Heineken a transbordar, ao som de ‘Danza Kuduro’ – com um vídeo de fundo que ora mostrava os fãs, ora mostrava a artista pop com as dançarinas no backstage. Com fãs desde muito cedo na fila de entrada para o recinto, o palco secundário do NOS Alive preencheu-se de tons de rosa, azul e amarelo e muito glitter, para receberem a it girl do momento. Desde ‘Midnight Sun’ à emocionante ‘Uncover’, não houve nada que parasse a energia contagiante de Larsson, e ninguém parou de dançar. Verão, um carro e muitas flores marcaram o cenário da artista, pronto para receber um fã sortudo ao palco para realizar a coreografia de ‘Lush Life’, o maior hit sua da carreira. O fã, Afonso, entregou tudo e cumpriu a missão com grandes aplausos, sendo ainda prendado com uma t-shirt personalizada pela própria Zara. Um fim absolutamente icónico e irreplicável do segundo dia do NOS Alive.

