9 Jul 2026 a 11 Jul 2026

Dia 1 do NOS Alive: Em dia de Nick Cave e Twenty One Pilots, ficam na memória o retorno de Alabama Shakes e a surpresa de Keanu Reeves

Dia 1 do NOS Alive: Em dia de Nick Cave e Twenty One Pilots, ficam na memória o retorno de Alabama Shakes e a surpresa de Keanu Reeves

A 18ª edição do NOS Alive volta ao Passeio Marítimo de Algés para um cartaz promissor, com dois dias esgotados. Com a primeira ronda do festival a contar com grandes nomes, desde A Perfect Circle a Twenty One Pilots, o dia de abertura não deixou escapar nada.

Vinda de Budapeste, a banda húngara SONYA teve a responsabilidade de inaugurar o Palco Heineken no primeiro dia do NOS Alive’26. Os vencedores do programa europeu GrassEUts, liderado por Sonya Kurbatova, estrearam-se em Algés com um post-rock cinemático cativante e instrumentais carregados de energia. Apesar de atuarem numa tenda aparentemente tímida, os poucos, mas dedicados, os fãs fizeram-se ouvir no seu single de estreia lançado em 2014, ‘Kitchenfloor’, não podendo deixar de promover o seu próximo projeto com a performance de ‘One Way Out’, editado já este ano. O início de um grande festival, foi marcado pelo ambiente intimista e melancólico dos SONYA, e daí a fasquia já estava alta.

Mas foi com Dogstar que o Palco Heineken começou a aquecer. O trio californiano de Bret Domrose, Robert Mailhouse e Keanu Reeves, pisou o palco perante uma ovação estrondosa… com inúmeras referências aos trabalhos do ator, e músico, Keanu Reeves. A curiosidade levou a que o movimento no palco secundário do NOS Alive ficasse para assistir a um concerto único e surpreendente. E, por muito que o público e admiradores do ator quisessem fazer de Dogstar a banda de Reeves, o próprio recuava para que a frente do palco pertencesse por inteiro ao parceiro Domrose, cuja entrega agarrou cada um até ao último minuto. A banda, que teve o seu auge nos anos 90, voltou com um novo disco “All in Now” (2026) e com os hits enérgicos do grunge com ‘Breach’ e ‘Jackbox’. No final, Dogstar provou a sua relevância, além do mediatismo do seu baixista, pois é certo que o lugar do rock clássico é no coração do público português.

 

Enquanto A Perfect Circle tentavam cativar o público no Palco NOS com a ideia de uma ligação nostálgica, a verdadeira ressurreição estava a acontecer no Palco Heineken com Alabama Shakes. O regresso da banda de Brittany Howard a Portugal, causou uma enorme expectativa e não desapontou – pelo contrário, foi dos momentos mais memoráveis da noite. Com a tenda a transbordar para assistirem à missa soul, rock sulista da banda original de Alabama, Howard partilhou uma performance emotiva, visceral e com uma maturidade sonora avassaladora. O alinhamento contou com canções dos dois discos fundamentais da banda, com ‘Hold On’, ‘Don’t Wanna Fight’ e, o momento de maior ovação, ‘Gimme All Your Love’. Quem diz que músicas editadas há mais de uma década não continuam urgentes? O concerto dos Alabama Shakes terminou com uma longa ronda de aplausos e a sensação de que não foi apenas um momento musical pré-Nick Cave, mas um que fica marcado na história do NOS Alive.

Na viagem ao Palco WTF Clubbing, pudemos assistir à atuação de Gui Aly, jovem português que introduziu uma nova onda de pop nacional, com uma banda sólida e uma sensibilidade lírica que lhe garantiu um bom serão. A interação consistente com a plateia permitiu criar uma atmosfera de proximidade e alguma familiaridade com a sua música, estendendo-se até às últimas filas da tenda. A sua confiança e carisma em palco bastaram para que o público acompanhasse facilmente o seu trabalho, até sendo capaz de testar novo material que fará parte do seu próximo projeto ainda este ano. De ‘November’ a ‘Crush Me Down’, o Palco WTF Clubbing fez-se dançar, celebrar o verão e um artista nacional emergente que exibiu a sua música cheia de alma.

 

Para gostos mais pesados e dentro do patriotismo, talvez o mais acertado teria sido visitar o Palco Coreto para um concerto eletrificante de Hetta, banda hardcore portuguesa natural do Montijo, que cometeu a proeza de abrir um moshpit ao mesmo tempo de Nick Cave. Mas do outro lado, no Palco Heineken, uma voz residente fez-se ouvir em bom som – Matt Berninger, conhecido pelo seu projeto na banda The National, subiu ao palco pela primeira vez em nome próprio para um catálogo de charme, harmónicas e poesia. Acompanhado por uma banda de suporte, Matt passeou pelo palco com a sua já habitual ansiedade – ora agarrando no microfone como se a vida dependesse disso, ora tropeçando pelos cabos, ora atirando-se para a primeira fila sem medos. E nada disso é por acaso, ou desleixo. É Matt Berninger, fiel à sua persona (será?). O momento de estreia do artista americano foi desenhado para os seus devotos fãs, sem o peso do rock dos The National e dos irmãos Dessner, mas simplesmente vulnerabilidade. Entre ‘Serpentine Prison’ (2020) e ‘Get Sunk’ (2025), Matt entregou canções inéditas como ‘Martini Me Fatso’ e ‘Type it Up’, seguindo com, não duas, mas três temas dos The National – ‘Gospel’, ‘Slow Show’ e ‘Terrible Love’. Perto do final, como manda a tradição, o artista não resistiu a quebrar a barreira de segurança para cantar frente a frente com os fãs na primeira fila, deixando uma sensação agridoce na altura da despedida.

 

O primeiro dia do NOS Alive não poderia terminar sem a atuação explosiva de Twenty One Pilots, que regressaram após o sucesso do concerto em 2019 na Meo Arena. O duo de Ohio, Tyler Joseph e Josh Dun, trouxe ao Passeio Marítimo de Algés o seu pop rock energético, com um arsenal de pirotecnia que deixou milhares de pessoas em transe. Se é pop, rock, hip-hop ou eletrónica, nunca se irá saber ao certo, mas foi, sim, uma experiência imersiva, que não deu tempo para respirar. Trouxeram com eles a digressão do último álbum “Breach” (2025), que contou com os hinos ‘Stressed Out’ e ‘Tear In My Heart’, mas as acarinhadas ‘Jumpsuit’ e ‘Trees’ dominaram o público. Os Twenty One Pilots jogam numa liga própria quando o tema é performances físicas, pois realmente dão vida ao palco, e ao que não o é. A primeira noite do NOS Alive presenciou um solo de bateria de Josh Dun, tocado no cimo da torre que estrutura o palco principal, o convite a um segurança para subir ao palco e cantar ‘Ride’ com a banda, e inúmeros momentos intensos entre o público. Nada que não se espere da descarga de adrenalina que é um concerto de Twenty One Pilots. Um final apoteótico e visualmente deslumbrante que ganhou o primeiro dia da 18ª edição do NOS Alive.

Nota da redação: Não nos foi autorizado fotografar o concerto de Nick Cave e de A Perfect Circle, e por isso não iremos usar nenhuma foto destes dois espetáculos nesta reportagem.


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