Deixem o Pimba em Paz – reportagem no Coliseu dos Recreios

Deixem o Pimba em Paz - reportagem no Coliseu dos Recreios

O Dia de São Valentim foi vivido intensamente pela equipa musicfest.pt: estivemos no concerto de The Temper Trap, no CCB; a norte, fotografámos os Amor Electro e ainda houve tempo para marcar presença no espectáculo Deixem o Pimba em Paz, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. E é sobre este concerto que vos fala a Carla Flores. As fotografias estiveram a cargo do Marco Almeida.

Às vezes o amor tem destas coisas. A emoção e o calor da paixão fazem baixar a guarda da erudição e vai daí: Pumba! e vai daí: Pimba! Deixem o Pimba em Paz voltou neste 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados, à grande sala de espectáculos lisboeta, integrado na terceira edição do festival Às vezes o Amor. Aquele que tem sido o apelo repetido há mais de três anos por Bruno Nogueira, Manuela Azevedo, Filipe Melo, Nuno Rafael e Nelson Cascais foi mais uma vez, parece que a última, completamente ignorado por uma sala esgotada. Sala essa surpreendida canção a canção pela (já não tão) nova roupagem que estes cinco incansáveis e seus convidados dão a cerca de duas dezenas dos mais conhecidos êxitos de um género musical que já fez escola na cultura popular portuguesa.

Mas desenganem-se os que foram levados a pensar que este é um projeto pouco refinado. A abundante brejeirice de muitas das letras das canções e dos apartes de Bruno Nogueira e mesmo as letras de fazer chorar as pedrinhas da calçada, são servidas com o requinte de excelentes adaptações em que impera o bom gosto e a qualidade de interpretação – instrumental e vocal – num guião sobejamente estudado, testado e aprovado.

O espectáculo abriu com o romântico 24 Rosas, popularizado por José Malhoa e contou com as presenças de Capicua, António Zambujo , Samuel Uria. Houve lugar, ainda, para a participação por vídeoconferência de um pretensamente impaciente Camané, que, diz-nos o humorista Bruno Nogueira, “se encontra a trabalhar em Paris de França”, de onde nos cantou “Telegrama”. O alinhamento inteligente do repertório mal dá tempo ao público para se refazer da surpresa de um Camané-Pimba para logo nos trazer o grande e único sucesso de Graciano Saga, Vem Devagar Emigrante. Esta canção surge num inesperado Rap batido por Capicua e Bruno Nogueira. A entrada da rapper portuense arranca as primeiras gargalhadas sonoras da noite com o trio a fazer desfilar a desgraça de toda uma família. Os restantes convidados ajudam a uma festa que a todos permitiu sorrir, numa identificação mais ou menos crítica com o pimba, abundante em momentos guilty pleasure com boa parte do público a reconhecer com alguma surpresa que até gostamos disto!

António Zambujo mostrou-nos a sua ginga e, caso sobrem dúvidas sobre a classe do espectáculo, Samuel Uria declamou com Bruno Nogueira uma elegia ao Pimba musicalmente ilustrada pelo Bolero de Ravel!
Os dois principais interpretes estiveram iguais a si próprios, com Manuela Azevedo a mostrar porque é considerada uma das melhores vozes portugueses. Bruno Nogueira tomou a seu cargo a direcção do espectáculo usando o seu tom blasé, porém sério, quer se trate de prestar homenagem ao acordeão ou interpretar esse verdadeiro hino de consagração da agricultura Porque Não Tem Talo o Grelo.

Os que, na já longa vida deste espectáculo o tenham visto anteriormente, ou mesmo espreitado um vídeo, sabem que Bruno Nogueira dirá as mesmíssimas piadas sobre o seu “g’anda caparro” ou aquela história que nunca contaram, mas ninguém desconhece que o faz muito bem, caindo nas boas graças de todos. Quer sejam os que, já adultos, assistiram aos espectáculos de consagração de nomes como Marco Paulo ou Mónica Sintra; os que passaram semanas académicas a entrar e sair da “garagem da vizinha” ou ainda todos os que durante anos troçaram dos verdadeiros dramas que passaram pelo palco do Coliseu esta noite.

Na verdade, todos sabemos que o espectáculo chegou ao fim mas ninguém, ninguém deixará o pimba em paz!

Edição de Joana Rita 

Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do "ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!


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