Cremilda Medina apresenta novo álbum: “Lágrima” faz uma viagem profunda à alma da morna

Cremilda Medina apresenta novo álbum: “Lágrima” faz uma viagem profunda à alma da morna

A cantora Cremilda Medina – afirmada por muitos como “a voz da morna” na geração de novos artistas cabo-verdianos – lança o seu aguardado terceiro álbum de estúdio, intitulado “Lágrima”. Um trabalho só de cordas (algo raro no panorama musical atual) com um registo profundamente emotivo e que reafirma o compromisso da artista com a preservação, valorização e divulgação da música tradicional de Cabo Verde.

Depois de, em dezembro, ter revelado o single “Amizade” – uma interpretação que mergulha na intemporalidade da música tradicional cabo-verdiana – Cremilda abre agora as portas a um projeto mais amplo e intenso. “Lágrima” surge como símbolo de um percurso artístico marcado pela dedicação à morna, traduzindo-se num disco onde as emoções estão à flor da pele.

“Trata-se de um álbum só de cordas, com guitarra clássica, guitarra de 12 cordas, baixo e cavaquinho, num trabalho totalmente orgânico e sentido, que me inspirou a fazer uma viagem no tempo, regressando às tradicionais serenatas no antigamente”, explica a artista.

O álbum, lançado a 13 de abril de 2026, nasce de um processo de pesquisa iniciado em 2022, no âmbito de uma candidatura ao Ministério da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, inicialmente pensado para a edição de dois singles. No entanto, a riqueza do material recolhido levou a artista a expandir o projeto para um álbum completo, composto por 13 mornas, que refletem uma ligação profunda às raízes culturais do arquipélago.

Um álbum de reinterpretações

A produção do álbum é do multi-instrumentista Palinh Vieira, cuja abordagem sensível e contemporânea acrescenta novas camadas sonoras ao projeto, sem nunca perder a autenticidade que caracteriza a obra da artista. A colaboração estende-se a nomes incontornáveis, como Armando Tito e Kaku Alves, que contribuem com a sua experiência e ligação profunda à música tradicional.

Um dos pontos altos do disco são os encontros especiais com três grandes vozes de Cabo Verde – Ana Firmino, Maria Alice e Nancy Vieira. Em duetos intimistas, Cremilda partilha não apenas a interpretação, mas também a emoção crua da saudade, num diálogo sensível onde as vozes se entrelaçam em histórias de amor, perda e memória.

“Lágrima” é maioritariamente um disco de reinterpretações de antigos clássicos da música de Cabo Verde, reunindo um notável conjunto de compositores, entre eles B. Léza, Manuel d’Novas, entre vários outros, consolidando o álbum como um verdadeiro repositório da riqueza musical cabo-verdiana. Mas o trabalho conta ainda com dois temas inéditos, compostos por Miguel Silva e Constantino Cardoso, canções que revelam o mesmo respeito pela morna e pela identidade de Cabo Verde na música.

Mais do que um álbum, “Lágrima” é um tributo à herança cultural de Cabo Verde, respirando tradição, emoção e identidade. Uma viagem artística que convida o público a mergulhar no universo íntimo de Cremilda Medina, onde a morna ganha corpo, voz e sentimento.

Biografia

Cremilda Medina é uma das mais queridas e respeitadas intérpretes da música tradicional e clássica cabo-verdiana, e indiscutivelmente, uma das grandes vozes da morna da nova geração, género elevado a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Natural da ilha de São Vicente, berço também de Cesária Évora, Cremilda carrega consigo a herança, a memória e a alma de Cabo Verde. Dona de uma voz reconhecida pela suavidade e emoção, e com dois discos de estúdio já editados “Folclore” e “Nova Aurora”, Cremilda tornou-se uma referência da nova geração de artistas dedicados à morna e à preservação da tradição musical das ilhas cabo-verdianas.

Com vários palcos internacionais no seu percurso (como o Festival Metis, em França, o Philarmonie, no Luxemburgo, ou a Gulbenkian, em Lisboa, além de outras passagens que vão da Europa à América), Cremilda é hoje uma das vozes mais autênticas da cultura cabo-verdiana, com várias distinções nacionais e internacionais, incluindo dois prémios nos International Portuguese Music Awards (EUA), onde venceu por duas vezes na categoria Best World Music

A sua arte nasce da tradição, mas projeta-se no presente com uma identidade própria, onde a morna e a coladeira ganham novas cores, respeitando sempre a essência que as torna universais. A interpretação profunda, emotiva e elegante faz de Cremilda uma verdadeira embaixadora da música cabo-verdiana no mundo. A artista tem vindo, ao longo de mais de uma década, a afirmar-se como guardiã e embaixadora da tradição e este novo trabalho reforça a sua missão de resgatar, preservar e dar nova vida a composições que espelham a alma e a sensibilidade do povo cabo-verdiano.

Fonte: Press Release


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