De alma lavada e coração quente, ou de coração lavado e alma quente – John Legend no MEO Arena

De alma lavada e coração quente, ou de coração lavado e alma quente – John Legend no MEO Arena

Foi um sábado quente dentro e fora de portas do MEO Arena. John Legend deu tudo em Lisboa e ainda “apadrinhou” um casamento.

Que John Legend é bom já nós sabemos, tem provas mais que dadas. Que pode continuar a vir a Portugal também, até porque teve mais uma casa cheia, mas só quem esteve presente sabe a verdadeira festa de sábado à noite que se viveu a 14 de Outubro.

O warm up estava exatamente como se pedia no MEO Arena depois de uma primeira parte morninha com Jack Savoretti. Ouviram-se Beyoncé, Kanye West e Michael Jackson como se espera numa noite de celebração de R&B e hip hop. A dois minutos das dez da noite apagam-se as luzes e ficamos entregues a Roc Boys (and The winner is) de Jay Z. Vinte e duas horas em ponto e chega o senhor da noite, John Legend.

Perante um MEO Arena cheio, com toda a pompa e circunstância, plataforma elevatória, ledwalls, e sentado ao piano, Legend arranca com a poderosa I Know Better seguindo com Penthouse Floor, fruto da colaboração com Chance the Rapper. Quem achava que ia passar o concerto sentado de lágrima no olho, ou em preparação para o ato reprodutivo, descobriu rapidamente que estava enganado. Ao fim de duas músicas percebeu-se que ninguém ia ficar parado, sentado ou sequer calado. Entrei na onda e reencarnei em mim toda a soul possível como se fosse a doppelänger da Natalie Imani dos back vocals.

A muito bem-amada Love Me Now tirou-nos do buraco negro profundo e sexy em que estivemos durante todos os minutos de Tonight (Best You Ever Had) e a poderosa Made to Love sucedeu-se nesta primeira onda de hits.

Voltando a 2017, Legend trouxe a música que deu o nome ao álbum, Darkness and Light, acompanhado por Imani (a verdadeira, não eu).

John é bom conversador, gostamos de o ouvir falar quase tanto como gostamos de o ouvir cantar ou ver dançar, e o artista foi presenteando o público com um pouco de tudo. Antes de Overload, colaboração com Miguel que confessou ser uma das preferidas do último álbum, pediu-nos para nos deixarmos ir: “Esqueçam os telemóveis, esqueçam os likes, foquem-se no amor”. Ficou o apelo.

Houve tempo para What You Do To Me antes de viajarmos até 2004 com a vibe gospel de Used To Love U e um saltinho a Save the Night, de 2013.

Embalados por Legend, que pôs toda a gente a dizer “I love you”, houve pedido de casamento e todos os corações solitários vibraram com a energia que se estava a sentir.

A música Like I’m Gonna Lose You, de Meghan Trainor, e que tantas vezes passou nas rádios nacionais, foi aqui interpretada na íntegra pelo artista da noite, e só depois demos uso real às cadeiras do MEO Arena no segmento mais smooth do concerto. Seguiu-se a bem suave Save Room, com John de volta ao piano, e Slow Dance, duas coqueluches do álbum Once Again, de 2006 (Ana, sabes que te vimos em cima do palco a dançar com o John Legend e sim, cheirou a inveja no MEO Arena).

Quem segue mais de perto John Legend reconhece Chrissy Teigen e a filha de ambos, Luna. O segmento que se seguiu foi quase um “Bem-vindos”, como entrar na casa da família. Com saudades, Legend contou a história de quando Luna nasceu ao som de Superfly de Curtis Mayfield, que interpretou de seguida.

Depois de devidamente apresentada a banda que tem vindo acompanhar John Legend foi tempo de recordar o que não deve ser esquecido. Com as ledwalls repletas de imagens da manifestação de Memphis em 1968, relembraram-se as lutas sociais que os afroamericanos têm vindo a ultrapassar ao som de Wake Up Everybody, original de Harold Melvin & The Blue Notes. Seguimos para 2004 para relembrar Ordinary People do álbum Get Lifted com direito a ovação em pé.

De volta à casa dos Legend e com as ledwalls preenchidas por vídeos da filha, foi tempo de cantar o tema que lhe escreveu, Right by You (For Luna), seguindo-se uma cover irrepreensível de God Only Knows dos The Beach Boys para quem tinha dúvidas da sua capacidade vocal. Se é que existiam dúvidas.

Fomos puxados de novo para 2017 com Surefire e logo de seguida John presenteou-nos com a sempre dançante Green Light de 2008.

Para fechar, Legend escolheu Who Do We Think We Are, You & I (Nobody in the World e, assim que anunciou a despedida com So High, metade do MEO Arena rezou a todos os santos que voltasse. Afinal de contas, para a maioria, não se podia terminar a noite sem uma certa e determinada música. Mas John sabe disso e voltou, claro, trazendo consigo All Of Me com lanternas de smartphones em riste, cordas vocais do público mais ou menos afinadas, e um singalong de abanar a sala de espetáculos.

Glory, a poderosa música composta e interpretada por Legend e Common para o filme Selma e vencedora do Oscar de Melhor Canção Original em 2015, foi a escolhida para o grande fecho.

Um espetáculo extremamente bem conseguido, sem exageros, com entrega, com muita alma, com reflexão social, com sentido de pertença e com capacidade de agradar às amigas e aos amigos, aos solteiros, aos recém-casados e aos divorciados.

Lisboa foi a última noite da The Darkness and Light Tour e, tal como John fez questão de frisar, guardou-se o melhor para o fim.

 

Edição de Daniela Azevedo
Fotos de Alexandre Antunes (Everything Is New)


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Mónica Borges  

Acho todos os cães bonitos e luto incansavelmente por uma carreira como turista, festivaleira e degustadora de waffles. Nas horas vagas salvo vidas.

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