Ainda não é tempo para papéis de reforma nos Scorpions

Ainda não é tempo para papéis de reforma nos Scorpions

Os Scorpions estão a celebrar 50 anos de existência e a festa de aniversário foi ontem à noite com um concerto de casa cheia no Meo Arena, em Lisboa.

Apesar da efeméride, o espetáculo também serviu de “montra” a “Return To Forever”, o 18.º álbum de estúdio dos alemães, que teve honras de abertura da noite com ‘Going Out With a Bang’. ‘Make It Real’, a remeter para o disco de 1980, “Animal Magnetism”, veio a seguir. A avaliar pelos temas trazidos a Lisboa, o disco mantém a mesma energia e a mesma linha musical dos grandes álbuns com que nos anos 70 e 80 a banda conquistou fãs pelo mundo inteiro. Para uma banda que está no ativo desde 1964, um disco novo no ano passado podia ter sido um “tiro no pé” mas não foi. As canções novas estão bem escritas e bem compostas e têm tudo a ver com aquilo que os Scorpions sempre foram.

Se, na Europa, o passado recente nos fez olhar passar a olhar com uma certa desconfiança para a Alemanha, na música as barreiras foram imediatamente esbatidas assim que os riffs de guitarra e a bateria tomaram conta do MEO Arena em mais uma noite em que as paredes tremeram e não houve sismos à vista.

20160628213153-scorpions-0012 Vê todas as fotos dos Scorpions no MEO Arena

Atualmente, formam os Scorpions os músicos Matthias Jabs e Rudolf Schenker, dois dos fundadores, Klaus Meine, James Kottak e Paweł Mąciwoda. Em Portugal, a bateria foi entregue a Mikkey Dee , dos Motörhead, que substituiu o lendário Kottak, afastado por motivos de saúde. Klaus Meine pode nem sempre atingir as notas mais altas mas no geral a sua voz mantém-se muito aproximada à que sempre ouvimos. «Sabem porque é que nós cá andamos desde os anos 70, 80, 90 e por aí fora? Não?! Because ‘We Built This House’ on rock!», dispara o cantor, numa das suas primeiras e exemplarmente aplaudidas intervenções. Claro que a música de 2015 é a que se segue e nem parece que estamos a ouvir uma música nova, lá está, tal é a semelhança com os grandes clássicos dos 80’s. Todos eles na casa dos 70 mostraram bem que “velhos são os trapos” e interagiram como poucos num concerto cuja seleção de alinhamento não dececionou. Prova disso foi o muito aplaudido solo de guitarra de Matthias Jabs, ‘Delicate Dance’.

Voltando aos tempos em que o walkman acompanhava as primeiras paixões, claro que a banda não ia deixar ficar de fora canções como ‘Always Somewhere’, ‘Send Me An Angel’ e o popular assobio de ‘Wind of Change’.

Segundo a produtora portuguesa Everything is New, o grupo vendeu «mais de 100 milhões de discos» mas isso não evitou que há seis anos começassem os rumores de fim. Entretanto tudo foi desmentido e está mais que comprovada a sua continuidade.

20160628213712-scorpions-0039 Vê todas as fotos dos Scorpions no MEO Arena

Perto do final temos outro solo, desta vez de bateria. É verdade que, quem já viu Scorpions, sente a falta do “Kottack attack” que, por esta altura, levava o músico a tirar a camisola e mostrar as expressivas tatuagens com o seu nome numa aparentemente descontrolada fúria de pratos. Mikkey Dee claro que também foi rockeiro a 100% no seu solo e sorriu para o público enquanto era elevado numa plataforma que fez subir homem e instrumento. Todo este momento da noite foi acompanhado com a exibição nos painéis do palco das muitas capas de álbum que lhes pontuam 50 anos de carreira. De referir que várias foram as vezes em que o grupo viu as capas dos seus álbuns serem censuradas. A primeira foi a de “In Trance”, de 1975, que mostra uma mulher com os seios descobertos e que foi censurada pelo mercado dos Estados Unidos. Não satisfeitos, no ano a seguir causam polémica com a capa de “Virgin Killer”, proibida em vários países e considerada pornográfica por mostrar uma criança também com os seios descobertos. A capa do álbum “Taken by Force”, de 1977, também correu mal porque mostrava duas crianças com armas num cemitério militar.

‘No One Like You’ e ‘Big City Nights’ fecharam o concerto propriamente dito com muitos e sentidos agradecimentos. Sim, houve encore, claro, os Scorpions são “queridos” o suficiente para não deixarem a grande legião de fãs portuguesa “pendurada”. ‘Still Loving You’ pôs todo o Meo Arena a cantar e ‘Rock You Like a Hurricane’, uma das canções que mais versões terá conhecido na história da música, encerraram a noite.

20160628213124-scorpions-0034 Vê todas as fotos dos Scorpions no MEO Arena

Daniela Azevedo  

Jornalista, curiosa sobre os media sociais, viciada em música, gosta da adrenalina do desporto motorizado. Amiga dos animais e apreciadora de dias de sol. Acha que a vida é melhor quando há discos de vinil e carros refrigerados a ar por perto.


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