Agnes Obel no Tivoli BBVA, a reportagem

Agnes Obel no Tivoli BBVA, a reportagem

Numa noite como a do passado domingo, dia 25 de junho, cheia de ofertas musicais na capital, ir ao Tivoli seria uma alternativa jamais defraudada. Agnes Obel incluiu Lisboa (pela qual se confessou rendida) na rota da sua tournée europeia de apresentação do último álbum, Citizen of Glass. Um espetáculo que decorreu no palco BBVA do Tivoli. A Inês esteve por lá, acompanhada pelo Alexandre & as suas máquinas fotográficas.

Agnes Obel, a dinamarquesa que escolheu Berlim para viver desde 2006, conta já com três trabalhos em nome próprio e encontra-se no final de uma longa volta pela Europa com o seu novo álbum, Citizen of Glass. Num espetáculo em que se sentia um público palpitante de curiosidade, Agnes mostrou-se uma incrível contadora de histórias. Fez-se acompanhar de duas violoncelistas e uma percussionista – três artistas que não ficaram atrás no desempenho em palco. Trouxe também o seu velho piano, ao qual interpretou três temas.

Durante as quase duas horas que durou o concerto, Agnes colocou em frente ao público o contexto de cada canção, desenrolou o fio e virou as páginas do livro de histórias pop-up que parecia estarmos a ler com ela. Se os povos nórdicos são reconhecidos pelas lendas e histórias fantásticas, Agnes impecavelmente mostra que assim é. Foi desta forma que complementou as 17 canções que tocou. Uma interpretação muito visual é o que se retira da audição dos seus três trabalhos: a imagética visual desta artista, as letras contadoras de histórias, os sons que embalam…

De inspirações clássicas como Ravel, Debussy e Satie, e até mesmo Hitchcock (a quem homenageou na capa do seu primeiro trabalho, Philharmonics), Obel tem uma presença em palco tão profissional quanto empática para com o seu público. Já ela própria detém estatuto de inspiração. De voz delicada e doce toma-nos a mão e leva-nos numa viagem.

Ouviram-se temas como Dorian, Golden Green, Trojan Horses (Citizen of Glass, 2016) mas também The Curse, Fuel to Fire (Aventine, 2013) e Philharmonics (Philharmonics, 2010). Parece que Agnes Obel ainda não ganhou estatuto de estrela, embora baste uma música para despertar a curiosidade por todo este universo.

A primeira parte desta noite ficou entregue ao músico vindo de Bruxelas, Boris Grönemberger. Actuou sozinho e  deixou uma mão cheia dos seus temas para um público que agradeceu a sua humildade.

Edição de Joana Rita

Inês Batista  

Revisora literária por vários acasos. Um dia tropeçou nas letras, caiu dentro delas para lá ficar e às vezes quase se afoga. Habituou-se ao acordo Ortográfico. Estranhou-se e entranhou-se.


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Mais sobre: Agnes Obel, Boris Grönemberger

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