Adriana Calcanhotto no Centro Cultural de Belém – a reportagem

Adriana Calcanhotto no Centro Cultural de Belém - a reportagem

São quase 30 anos (oficialmente) de carreira, 17 álbuns lançados, e um sem número de anos de uma relação (de amor) duradoura com Portugal, com Lisboa. Desenganem-se aqueles que crêem que todas as relações longas se esmorecem, se deixam morrer, arrefecem. Esta, em especial, é uma dessas relações fortes, que se intensificam a cada dia que passa, a cada batalha travada, a cada pauta tocada. Esta relação tão especial que Adriana Calcanhotto tem com Portugal.

Pouco antes das 21h, hora marcada para este encontro amoroso, com a chuva a dar algumas tréguas num dia em que até neve caiu em Lisboa, quem se atrevia a entrar no Centro Cultural de Belém, deparava-se com uma fila quase sem fim à vista. Atrevemo-nos a dizer que raras foram as vezes em que vimos este recinto com tamanha fila. O prenúncio era forte. As cartas estavam lançadas. Todos esperavam pel’A Mulher do Pau-Brasil. Adriana Calcanhotto surge em palco pouco depois da hora marcada, balançando-se numa cama de rede gigante, suspensa num palco vestido apenas de instrumentos e acompanhada de Ricardo Dias Gomes, no piano, baixo e voz; e de Gabriel Muzak, na guitarra, mpc e voz.

Numa intro sem palavras, em que de Calcanhotto pouco se via para além de um pé caído fora da rede, marcaram-se as certezas de um serão quente, com melodias conhecidas mas também novidades. É com um tema inédito que ouvimos Calcanhotto pela primeira vez esta noite. A Mulher do Pau-Brasil, tema homónimo do espetáculo em questão, abre as hostes e o caminho para A Dor Tem Algo de Vazio, Mortal Loucura e a tão conhecida e adorada do público português, Esquadros, que começa com uma intervenção da brasileira, em que fez questão de fazer uma “chamada”, como se na escola estivesse, e invocar o nome de “Marielle” (a deputada brasileira assassinada recentemente), com o público a responder “presente”. São familiares os temas que se seguem e Onde Andarás e Noite de São João preparam terreno para mais uma estreia, Que Me Cabe. Não Demora chega sem pressas mas no tempo certo, com Inverno na mala. Dá-se uma pequena pausa, com Adriana Calcanhotto a sair de palco, deixando que os seus companheiros de canções brilhem com um solo de piano, enquanto a brasileira troca de indumentária rapidamente para voltar vestida de vermelho e com um par de temas novos que apresentou a um CCB cheio e a rebentar pelas costuras. Tão cheio que, durante a terceira e a quarta música, ainda víamos público amontoado nas escadas, a tentar chegar aos seus lugares, imersos no breu do recinto.

Era Pra Ser, Outra Vez, Flor Encarnada e Ogunté ouvem-se pela primeira vez, misturados com Metade, Nature Boy, Devolva-me, Vamos Comer Caetano e Caravanas. Aproxima-se o “fim do primeiro acto” mas não sem antes se fazer ouvir Vambora, um mais aclamados – e cantados em uníssono – temas da artista. Fecha-se a cortina, abandona-se o palco, pede-se por mais. Um mais que traz Tigresa e Fico Assim, que derrete corações e fecha com chave de ouro este início de tour d’A Mulher do Pau-Brasil.

Marta Ribeiro  

A miúda do cabelo curto. Fotógrafa, sonhadora, amante de música e com a mania que tem piadinha. Despachada. Às vezes escreve coisas um tanto ou quanto bonitas, mas na verdade a única coisa que faz bem é dar ração à cadela. Normalmente encontra-se por detrás de uma câmara e em vestes negras.


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