5SOS em Lisboa: A Maior Boyband do Mundo fez de Portugal A Estrela

Um novo álbum. Um novo look. Uma nova tour. Mas o plano de passarem por Lisboa não muda. A primeira visita de 5 Seconds of Summer a Portugal foi há 11 anos na Meo Arena e os rapazes voltaram a casa no passado domingo, dia 3 de maio de 2026.
Com 6 álbuns aclamados e uma comunidade de fãs bem estabelecida, os quatro amigos australianos prometeram o maior evento da sua carreira: a “Everyone’s a Star! World Tour”. Um conceito em que a sátira e a boa disposição permitiram um concerto interativo com o público, num formato surpreendente género reality show/documentário. E este desejo de dar tudo também se fez notar nas bandas de abertura, Master Peace e South Arcade.
O melhor de qualquer pista de dança é a seleção de músicas que nos fazem mexer, bater o pé e euforicamente querer mais. O Master Peace fez o trabalho de casa e é certo que meteu mais fãs ao bolso. Carismático, divertido e talentoso, o artista britânico Peace Okezie abriu a noite com uma energia inesperada, mas bem-vinda e altamente contagiante. Oito músicas, do seu álbum de estreia “How to Make a Master Peace” (2024) e do último lançamento “Stupid Kids” (2026), mostraram a carreira promissora de Peace. Além disso, a cover do hit de Justin Bieber “What Do You Mean?” apanhou o público de surpresa, e desenvolveu uma conexão com os fãs que é raro encontrar em performances de abertura.
Uma coisa é certa: os anos 2000 estão de volta e a Meo Arena foi a máquina do tempo dos artistas dessa noite. A banda pop punk inglesa, South Arcade, seguiu o compasso de espera e elevou a fasquia. Com uma sonoridade mais pesada e com claras influências das bandas/artistas de referência da era Y2K – Paramore, Avril Lavigne, Sum-41 -, ofereceram batidas fortes e muito entusiasmo. E com grande parte do público fora do género punk rock, este segmento estranha-se numa primeira instância, mas facilmente se entranha quando o ritmo da banda vem acompanhado de uma vocalista familiar e magnética. E foi com “HOW 2 GET AWAY WITH MURDER” que Harmony Cavelle ganhou o público, e preparou-o para o que tanto aguardaram.
Quem disse que é preciso esgotar uma arena para as bandas vibrarem? Segundo Luke Hemmings, Lisboa entregou a noite mais barulhenta da digressão europeia; um reconhecimento já estabelecido previamente. Este novo formato, não poderia deixar de ser inconvencional, ou não seria um concerto dos 5 Seconds of Summer. Entre interlúdios com vídeos nostálgicos e powerpoints humorísticos, com inside jokes e referências emblemáticas de Portugal – desde os clássicos pastéis de nata à ribalta da nossa ginjinha. A paródia da fama de uma boyband ficou assente numa auto-reflexão fictícia, uma em que a maior banda da atualidade é levada à ruína depois de um acidente com fãs. Comparam-se com The Beatles, a Jesus e mostram-se exatamente como são: vulneráveis e seguros de si mesmos, sabendo brincar com a própria imagem e falhanços na carreira. E é esta autoconfiança que os torna tão sedutores.
O espetáculo começou com a energia explosiva de “NOT OK”, um dos singles do seu álbum mais recente “EVERYONE’S A STAR!” (2025), e rapidamente transitou para o lançamento dos grandes êxitos da banda: “Teeth”, “She’s Kinda Hot” e “Boyband”. Aos 14 anos de carreira, a banda australiana provou mais uma vez que é capaz de inovar e usar a nostalgia dos seus tempos de YouTube para melhor. Foi um concerto intimista numa das maiores arenas de Lisboa, com cerca de 2 horas de performances e interações com fãs. Uma das fãs foi escolhida para premiar os membros da banda com um troféu de “Melhor Boyband”, um momento caloroso e muito engraçado que marcou a noite.
Entre as 27 músicas, cada um cantou uma dos seus projetos a solo. O que, talvez, seria impensável para outras boybands, os 5 Seconds of Summer executaram na perfeição – a cumplicidade e apoio de cada um sem prejudicar o projeto em comum. Apesar do foco natural no último álbum, houve espaço para relembrar os primórdios da banda com “Amnesia”, “Jet Black Heart” e “She Looks So Perfect”, além do interlúdio mais aguardado da noite: a escolha da música surpresa. Desde a entrada no recinto, as fãs foram encorajadas a votar na música surpresa entre quatro sugestões da banda. A controversa “Don’t Stop”, do primeiro disco, foi a escolhida e mexeu visivelmente nas emoções do público, sendo uma música non grata pela banda que já superou essa fase.
As bandas de abertura subiram ao palco para o encore, na “Everyone’s a Star!”, num ambiente de alívio, orgulho, euforia e uma tristeza expectável na última noite da tour. Os 5SOS despediram-se de Lisboa com “Youngblood”, o seu maior hit até à data, uma forma inteligente e otimista de dizer “até já”. Nunca será um adeus, segundo a banda, porque querem Portugal para sempre nos seus planos – “somos um público memorável” -, agora só nos resta aguardar!

